25/09/2026
Antes de existir uma cena onde tantas mulheres pudessem ocupar o microfone, a produção, os instrumentos, os toca-discos e os bastidores, algumas já abriam caminhos.
Nos anos 1990 e 2000, quando o reggae ganhava cada vez mais força nas periferias e nos espaços culturais de Maceió, Luana do Reggae tornou-se uma das vozes femininas mais marcantes dessa história. Em 1998, iniciou uma trajetória que culminaria no álbum Te Amo Demais, lançado em 2002, deixando músicas que atravessaram gerações. Em 2026, Luana voltou aos palcos depois de 13 anos, reafirmando a continuidade dessa história.
Também faz parte desse legado a Mandhalas, reconhecida como a primeira banda de reggae formada exclusivamente por mulheres em Alagoas. Tati Carvalho, Larissa Carvalho e Michelly Andrey ocuparam o centro do palco para apresentar composições próprias e mensagens femininas, enfrentando as dificuldades de construir e manter uma banda de mulheres em uma cena predominantemente masculina.
E essa história não parou.
Negra Lia, filha do DJ Sergynho Rasta, carrega uma herança familiar ligada aos vinis, às radiolas e às rádios comunitárias. Desde 2003, constrói sua própria trajetória e hoje segue com o projeto Reggae Love, levando sua música para diferentes cidades de Alagoas e também para fora do estado.
Myrra também representa essa resistência. Cantora e compositora, construiu uma trajetória de cerca de 25 anos conciliando maternidade, trabalho e música, afirmando o reggae como espaço de cura, denúncia e espiritualidade.
E existem ainda tantas outras mulheres que fazem essa cultura acontecer: cantoras, instrumentistas, DJs, produtoras, comunicadoras, técnicas, articuladoras e tantas profissionais que, muitas vezes, estiveram nos bastidores sem ter seus nomes registrados como deveriam.
Das pioneiras às novas gerações, o reggae alagoano também tem voz feminina.
São mulheres que cantam, tocam, produzem, organizam, resistem e mantêm viva uma cultura que atravessa territórios, gerações e histórias.
Porque falar de reggae em Alagoas também é falar delas.
Salve as mulheres do reggae alagoano ✊🏾