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Fala Brasilis | Vozes Vivas da Literatura das Frestas
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Ensinar literatura é mais do que ensinar a ler. É permitir a travessia entre mundos.“O real não está na saída nem na che...
21/06/2025

Ensinar literatura é mais do que ensinar a ler. É permitir a travessia entre mundos.

“O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.”
Guimarães Rosa

Nas salas de aula, o que está em jogo nem sempre é só o texto.
E o que se joga é o poder de dizer o que é válido.
É o lugar de quem pode nomear a beleza, a estética.
É a “autoridade” de quem determina o que é “certo”, o que é “culto”, o que é “literário”.

Pierre Bourdieu chamou isso de capital linguístico. (O capital linguístico de Bourdieu é ideia de que nem todas as vozes têm o mesmo valor nos espaços de poder).

Mas isso nas escolas também?

Sim

Na escola, essa desigualdade se mostra quando o educador impõe, ainda que sem intenção, uma linguagem como a única legítima, silenciando sotaques, expressões regionais, formas populares de narrar o mundo.

E é nesse contexto que a literatura precisa ser travessia.

Guimarães Rosa, mestre dos desvios e das reinvenções, sabia que a linguagem interior de cada um é um território sagrado.
Sabia que o sertão não cabe em dicionários, mas pulsa nas entrelinhas.

É papel do professor não colonizar essa travessia, mas mediar o encontro entre mundos:

→ entre o cânone e o cotidiano,
→ entre o verso e o vocabulário da rua,
→ entre a norma culta e a linguagem afetiva.

Porque a poesia está onde há sentido.
E o sentir não se impõe, se constrói.

O professor pode ser guardião de um saber, sim.
Mas que seja guardiã também de escuta.

Que distribua chaves,
ao invés de trancar portas.

Ensinar literatura não é obrigar o aluno a atravessar um rio sem ponte.

É mostrar que há muitas margens,
e que cada uma tem o seu jeito de ver a paisagem.


Na sua escola, ou na sua empresa,
que vozes têm permissão para ser ouvidas?

E
quais são sistematicamente silenciadas?

A literatura como gesto sagradoEnsinar literatura é abrir portas e janelas: para dentro e para fora.“Não quero faca nem ...
18/06/2025

A literatura como gesto sagrado

Ensinar literatura é abrir portas e janelas: para dentro e para fora.

“Não quero faca nem queijo. Quero a fome.”
– Adélia Prado

Em cada espaço onde a literatura é ofertada com afeto, acende-se uma fagulha.

Adélia Prado escreve com uma fome que reconhecemos. É uma fome de sentido, de beleza, de nomear o indizível.
E é essa mesma fome que crianças, de todas as idades, carregam nos corredores da escola:

🍴a fome de se enxergar no mundo,
🥢de pertencer a uma história,
✋🏾de escrever a própria.

Quando uma educadora lê um poema em voz alta, ou quando um leitor descobre um verso que parece ter sido escrito para ele, nasce algo mais do que gosto pela leitura: nasce ligação, nasce afeto.

Porque a literatura é semente e as suas raízes não se limitam ao jardim da escola.

Elas atravessam o muro.
Elas se espalham pela comunidade.
Elas entram no quintal de casa.
E, quando bem-vindas, entram nas empresas também.

Uma empresa que incentiva a leitura,
que valoriza narrativas,
que respeita o tempo da escuta.
Essa empresa se fortalece culturalmente.

Ela constrói uma identidade conectada com o humano, com o simbólico, com a sensibilidade que mobiliza e transforma equipes e relações.

A literatura forma leitores.
E leitores formam mundos.
(Reusando Paulo Freire)

Levar literatura a sério, em todos os ambientes é formar pessoas atentas, críticas, criativas e conscientes do papel coletivo que cada um tem.

E por aí, o que a sua empresa tá contando pro mundo?

Quais histórias ela tem coragem de escutar?

Cards: Canva
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A diversidade cultural ainda enfrenta grandes desafios na educação brasileira, apesar da Lei 10.639/03 e da Lei 11.645/0...
17/06/2025

A diversidade cultural ainda enfrenta grandes desafios na educação brasileira, apesar da Lei 10.639/03 e da Lei 11.645/08, que tornaram obrigatório o ensino das histórias e culturas afro-brasileira e indígena.

🧶

A literatura reflete essa luta: entre 1900 e 1920, personagens negros e indígenas eram invisibilizados ou estereotipados (Gouvêa, 2005). Essa narrativa única, de viés eurocêntrico, perpetua exclusões até hoje.

Como Chimamanda Ngozi Adichie (2019) alerta, há perigo na história única. Precisamos ampliar repertórios e incluir obras diversas no ensino.

Como sua escola trabalha a literatura afro-brasileira e indígena?

Vamos trocar ideias! 💡🍀

16/06/2025

Nossas raízes nos conectam.

Nego Bispo, o fio resistente que costura a história do Brasil. Quilombola, professor, protetor da ancestralidade… Sua voz bate forte, ecoando a necessidade de idolatria às raízes e celebração a diversidade da cultura que nos guia.

No batuque do tambor, na alegria do verso, na luta do resoluto… Nego Bispo nos marca com a determinação de nos descobrirmos e nos jogamos dentro da nossa brasilidade.

Vamos marcar o caminho sendo protagonista na nossa história e pensamento cultural como ele?



*Ancestralidades*: [Nego Bispo. Biografia]. Disponível em: https://www.ancestralidades.org.br/biografias-e-trajetorias/nego-bispo. Acesso em: 09 Jun. 2025.

*Universidade de São Paulo (USP)*: DOS SANTOS, Antonio Bispo. Autor. Disponível em:https://ea.fflch.usp.br/autor/antonio-bispo-dos-santos. Acesso em: 09 Jun. 2025.

*Educação e Território*: Nego Bispo: entenda a importância de Antonio Bispo dos Santos. Disponível em: https://educacaoeterritorio.org.br/reportagens/nego-bispo-entenda-a-importancia-de-antonio-bispo-dos-santos/. Acesso em: 09 Jun. 2025.

*YouTube*: Nego Bispo – Trajetórias. Disponível em: https://youtu.be/Tqt9BnrolFg?si=zQO9691iAQAgEhT9. Acesso em: 09 Jun. 2025.

Algumas fotografias observei, demoradamente,buscando na geografia dos rostos,na curvatura das espinhas dorsais,o percurs...
14/06/2025

Algumas fotografias observei, demoradamente,
buscando na geografia dos rostos,
na curvatura das espinhas dorsais,
o percurso que levou aquelas pessoas até ali,
o lugar onde nos encontramos. À hora exata.


Sorte ou azar?
Destino?
Fluxo?
Quem pode reduzir a uma palavra
o que a sincronicidade engendrou?


Foi com esse barro que me dei um Deus,
feito à minha imagem e semelhança, e que tudo viu.
Cada coração, cada fígado…
Todos os céus e infernos e silêncios.
Tornei inseparáveis “o que foi” e “o que poderia ser”


Fiz do possível o provável e, dele, o óbvio.



Puxei com demasiada força a minha parte.
As consequências, ainda hoje, varam minhas madrugadas.



Não há co***lo em dizer que o que nos acontece, nos acontece.
Parte fazemos, parte nos fazem.
Às vezes, é preciso ir longe para chegar vindo de trás e alcançar a véspera da véspera da véspera do acontecimento. O momento preciso em que tomamos ou somos tomados por uma direção e um belo dia… ou um dia triste, somos o que somos.

(Um texto de )

Produto da cultura indígena, africana e portuguesa e fruto da tradição oral que assombravam o imaginário daqueles que co...
13/06/2025

Produto da cultura indígena, africana e portuguesa e fruto da tradição oral que assombravam o imaginário daqueles que contavam ou ouviam, a Mula sem Cabeça, o Lobisomem e Matinta Perera são personagens destaques da série “Cidades Invisíveis”, criada por Carlos Saldanha, com exclusividade para a Netflix.

Na série, sob um viés contemporâneo, um policial ambiental do Rio de Janeiro, chamado Eric (Marcos Pigossi) e sua filha (Manu Dieguez), investigam a morte misteriosa de Gabriela (Julia Konrad), esposa e mãe dos personagens. Nesse percurso em busca de respostas, os protagonistas se deparam com personagens do nosso folclore.

Apesar das críticas na 1ª temporada, por não incluir a presença do povo originário brasileiro, a série toma novo fôlego e na 2ª temporada modifica o espaço da trama, mudando-se do Rio de Janeiro para Belém do Pará, com um cenário mais natural, protegidos por indígenas e combatendo garimpeiros ilegais.

A série propõe uma reflexão acerca da origem dos mitos, desmistificando a crença de que há maldições envolvendo os personagens do nosso folclore. Além disso, ela também valoriza a importância desses seres na construção da história do nosso país, sendo parte indissociável da cultura popular brasileira e da identidade do nosso povo.

“Cidades Invisíveis” está entre as séries mais vistas em 40 países do mundo.

E me conta, você já maratonou essa série?

Deixe aqui nos comentários suas impressões e sugestões.

📺

Linguagem também é lugar de disputa.Se a escola é para todxs, a linguagem precisa acompanhar essa mudança. O uso de pron...
12/06/2025

Linguagem também é lugar de disputa.

Se a escola é para todxs, a linguagem precisa acompanhar essa mudança. O uso de pronomes neutros e formas inclusivas não é “modismo”, é uma resposta à realidade de pessoas que sempre existiram, mas foram silenciadas.

A língua é viva, mutável, humana. A educação também deve ser.

Falar com respeito não ofende ninguém. Pelo contrário: acolhe, humaniza, transforma.

🧠💡 Bora refletir juntxs?

TORTO ARADO + LAVOURA ARCAICA: Duas obras que escavam as raízes da nossa terra, da nossa língua e das nossas dores.Nesta...
11/06/2025

TORTO ARADO + LAVOURA ARCAICA: Duas obras que escavam as raízes da nossa terra, da nossa língua e das nossas dores.

Nesta sequência pedagógica para o Ensino Médio, propomos uma jornada crítica e sensível por temas como: ancestralidade, território, resistência, identidade e silenciamento, articulando leitura literária, produção textual, cultura nordestina e história do Brasil.

Com base na BNCC e em uma pedagogia participativa e inclusiva, os estudantes se tornam protagonistas do conhecimento, criadores de textos, vozes e narrativas que cultivam um Brasil mais justo.

“As vozes que aram o Brasil” já estão nas escolas, está hora de ouvi-las.

Com a Promulgação do AI-5, em plena ditadura militar, toda expressão contrária à ditadura era freada com repressões, em ...
10/06/2025

Com a Promulgação do AI-5, em plena ditadura militar, toda expressão contrária à ditadura era freada com repressões, em especial da entidade policial.

O MNU, juntamente com grupos estudantis, foram fundamentais para enfraquecer a ditadura e contestar o poder do presidente, ditador Ernesto Geisel.
As associações culturais serviam de espaço de encontro da comunidade negra, protegendo-as de agressões, expulsões e servindo como centros de encontro para reflexões dos temas-pautas do MNU.

Para que as reuniões se tornassem um movimento efetivo de resistência negra no Brasil, três acontecimentos principais aconteceram, sendo eles:
- O impedimento de quatro jovens negros de usarem a piscina do Clube de Regatas Tietê.
- A prisão de Robson Silveira pelo furto de bananas em uma feira.
- O assassinato de Nilton Lourenço pela polícia no bairro da Lapa.
No dia 7 de julho de 1978, na escadaria do Teatro Municipal de São Paulo, cerca de 2 mil manifestantes leram em coro a carta aberta do movimento. Carta que convoca a população a se unir em seus bairros, trabalho e prisões contra a discriminação racial e a violência policial.

Segundo o IBGE, a população preta e parda representa 56% da população brasileira, ou seja, já deixou de ser minoria. Além do maior número de representantes, essa massa de pessoas ainda sofre:
- O maior número de assassinatos;
- É foco da violência policial;
- O maior número de encarceramento;
- A maior desvalorização de mão de obra e
- Maior dano moral cotidiano.
Em contrapartida, essa maioria possui em menor número:
- As oportunidades de educação;
- A valorização profissional e a
- Deterioração identitária e cultural.

Apesar de todas essas desvalorizações acima citadas, temos ainda a teoria da “Democracia Racial”.
A democracia racial, de modo muito, muito, muito reduzido, afirma que, por meio da mestiçagem e da convivência de múltiplas raças no Brasil, levou o nosso país a uma sociedade plural, mista e sem racismo.

Sem Racismo.

É esse ideal, dentro outros tantos, que o MNU se dedica a combater, procurando denunciar as evidências de racismo em praticamente todas as esferas da nossa sociedade.

Conheçam Carolina Maria de Jesus: Voz Negra e Literária das Margens Brasileiras
09/06/2025

Conheçam Carolina Maria de Jesus: Voz Negra e Literária das Margens Brasileiras

Marighella: O filme que o Brasil precisa ver (e ouvir) agora!Marighella - O Filme Marighella - O guerrilheiro que incend...
06/06/2025

Marighella: O filme que o Brasil precisa ver (e ouvir) agora!

Marighella - O Filme
Marighella - O guerrilheiro que incendiou o mundo

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Jaraguá Do Sul, SC

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