05/03/2014
A sonhadora Indomável- paráfase da Indomável Sonhadora
“ Eu sou o homem aqui!” (…) E ela se sentia um homem naquele ambiente. Com apenas seis anos Hushpuppy (Wallis) mostra toda sua força de enfrentar todo aquele universo ao seu redor, vive em um pequena comunidade chamada A Banheira, cuja pobreza é extrema, mas o foco do filme se desvia intencionalmente dessa situação, criada com seu pai, um alcoólatra que a cria sem sentimentalismo, já para que essa possa aprender a se defender do mundo quando ele se for.
A interação daquele povo com seu ambiente também é algo notável no filme, uma vez que o diretor quis priorizar a ligação deles com a natureza do que com a pobreza, mas a comoção do filme se dá na relação pai e filha, o modo que ele ensina com base no que acredita ser certo pra ela. A fantasia que se confunde com a realidade, a menina durante o filme mesmo com todo seu ser moldado para ser forte, cria varias condições que interagem nas próprias cenas, as conversas com a mãe que nunca viu e, no final do filme, criaturas pré-históricas que não passam da imaginação dela. Essas seriam a representação da destruição que foi causada no seu ambiente pela tempestade ( o furação Katrina) e logicamente a ruptura com seu pai, justamente no retorno de sua busca pela mãe. As cenas se ligam e ganham sentindo com essa demonstração de poder, de força e sobretudo de coragem. A menina prova ser capaz de suportar tudo dali em diante.
Indicado ao quarto Oscar e dirigido por Benh Zeitlin, A indomável sonhadora, é uma linda história, não de drama ou superação, uma verdadeira história de aventura, que no meu ver mostra como somos intimamente tão pequenos e tão fortes, que o ambiente, as pessoas são tudo parte de um, e a nossa pequena Wallis recria tudo isso sendo a sonhadora indomável.
escrito por: Mira Neres