22/11/2014
Queridos amigos, vamos entender o Projeto Lapidar!!!??
O verbo “lapidar” é autoexplicativo. Se procurarmos nos dicionários, veremos que a palavra “lapidar” carrega em si alguns conceitos muito signif**ativos. No que diz respeito às pedras preciosas, a ideia de lapidar está ligada a talhar, polir, lavrar e aperfeiçoar. Mas, também pode ser traduzida como educar, cultivar e, novamente, polir e aperfeiçoar. Por isso, uma pessoa educada é chamada de “polida”. Na nossa logomarca, encontramos também a imagem de um diamante, o mais precioso dos minerais. Sua preciosidade superior é explicada pelo fato de ele ser o mais antigo de todos os materiais existentes na Terra e, ao mesmo tempo, o mais resistente. Ou seja, o diamante possui três características particulares que são incomparáveis: ele é o mais precioso, o mais antigo e o mais resistente. Isso tudo vai ao encontro de um ponto fundamental da filosofia védica: “Nós não somos este corpo”. Sabemos que o corpo nada mais é do que a mera cobertura do verdadeiro eu. Então, o que seria este verdadeiro eu? Segundo a Bhagavad-gita, o livro que nos serve o tempo todo como referência, o eu é a consciência, aquilo que dá vida ao corpo e, portanto, nada pode ser mais precioso do que este verdadeiro eu. Diferentemente do corpo, que é feito de matéria, a consciência (ou a alma, como quisermos chamar) é espiritual. Sendo espiritual, ela é eterna e sempre existente e, portanto, mais do que o próprio diamante, a mais antiga possível. Mas, será que além de preciosa e eterna a alma é também resistente? Claro que sim! Segundo a Bhagavad-gita, a alma é mais do que resistente: ela é imutável e nada pode afetá-la. Ela não pode ser destruída por nenhuma arma, nem pelo fogo ou qualquer elemento material que exista. Baseando-nos no capítulo 2 da Bhagavad-gita, vamos refletir um pouco sobre as suas qualidades...
“Para a alma, em tempo algum, existe criação ou destruição. Ela não passou a existir ou passará a existir a partir de um momento da história. Ela é não-nascida, eterna, sempre-existente, primordial e não morre juntamente com o corpo. Ela não pode ser dividida por nenhuma arma, nem queimada pelo fogo, nem umedecida pela água ou definhada pelo vento. Ela é inquebrável, indissolúvel, permanente, imutável, e pode estar em toda parte”.
Através dessas palavras de Krishna na Bhagavad-gita f**a fácil estabelecer uma relação entre o diamante e a alma. Ou seja, se, por um lado, o diamante é o mais precioso de todos os minerais, por outro, a alma é o mais precioso de todos os diamantes, pois nada pode ser mais precioso do que a própria vida! Se o diamante é considerado o elemento mais antigo, com existência estimada de centenas de milhões de anos, a alma é, evidentemente, mais antiga que o primeiro diamante que se manifestou na Terra, pois é eterna e sempre-existente! Além disso, não se pode comparar a resistência do diamante com a resistência da alma. Pode ser que, materialmente falando, nada é mais resistente que o diamante, mas, do ponto de vista espiritual, a alma é infinitamente superior, pois, como refletimos anteriormente, a alma é indestrutível, imutável, inabalável e indissolúvel. A conclusão é que dentro de todo e qualquer ser vivo, sem nenhuma exceção, se encontra o mais valioso de todos os tesouros, a alma – um diamante totalmente indestrutível de uma preciosidade infinita e eterna!
Mas, a analogia com o diamante não para por aí...
Depois de encontrar um diamante, começa-se a fase inicial, que é a limpeza bruta. Na etapa seguinte, o lapidador tenta aproximar o diamante do seu formato final e ideal. É quando a pedra começa a manifestar suas várias facetas e seu brilho. Mas, para tal tarefa, o lapidador terá que necessariamente valer-se de outro diamante. Temos aí um problema: Como aparar as arestas desse minério que é considerado o mais resistente? A resposta é: Valendo-se de outro material igualmente resistente. A conclusão é que apenas um diamante pode ser usado como ferramenta para lapidar outro...
A limpeza inicial ou bruta é feita pela própria vida. É uma fase mais dura, mais austera. De fato, o conjunto de experiências que a alma adquire em suas várias vidas pode ajudá-la no processo de aperfeiçoamento ou polimento. Mas, como já mencionamos, para a etapa seguinte, a alma-diamante precisará da ajuda de outra alma-diamante. Ela precisará do que chamamos de sat-sanga, associação espiritual. E como na lapidação comum usa-se também azeite para facilitar o processo, para se lapidar a alma é preciso de alegria, de celebração, de música, de companhia agradáveis...
Quando a luz entra numa das várias facetas de um diamante perfeitamente lapidado, ocorre um fenômeno interessante. De uma face, a luz reflete em outra, e assim uma face potencializa o brilho da outra, que potencializa o brilho da outra, etc. Depois disso, a luz sobe ao topo e se espalha por todo o corpo do diamante. Assim mesmo acontece com uma pessoa lapidada, de coração puro e é por isso que seu comportamento e reações são naturalmente apropriados. Ou seja, a luz do conhecimento transcendental, que tem Deus como origem, consegue entrar em sua consciência, passar por todos os cantos de seu ser até brilhar em sua face e resplandecer em suas atitudes. Então, querido diamante, você quer ser lapidado?
Chandramukha swami