26/11/2022
Lágrimas de rosas.
Passos precisos me mostraram o caminho de menino pequenino hoje homem feito. Entendendo os processos que se dão para a evolução do ser, questiono a história dita, é contada em rodas de senhores e senhoras que não pintam com as cores alegres de meu povo.
Vi pouco mas sinto na pele a dor e o suor que meu povo sentiu, cada pedra desse chão tem sangue de preto, cada árvore que lhe dá sombra tem o suor do meu povo preto, povo esse reis, rainhas, princesas.
Os cantos de ninar desde sempre ecoavam em meios sociais sem contexto sem vida, frases cantigas sem expressão, o choro estava presente, o grito de socorro preenchia cada ponto sendo as vírgulas o gancho para um chamado real.
Brasil plural, colonial, pós escravidão, escravidão se faz presente nas mentes desatentas, aprisionadas no preconceito pela cor, pelo cabelo, pela fala. Lábios robustos, pele forte, cor permanentemente presente, na vida de Mariele, Elza Soares, aleijadinho, Dandara meu grito soma com o seu.
Grito ao mundo Eparrey, meu canto é livre. As águas do mar me banham todas as vezes que penso em desanimar Odocia. As estradas tem rumo e direção, me sinto forte! Patacori. A justiça sempre é feita, pois quem dita é rei Kaô Cabecile, viro e reviro samboreio nas folhas do pai caçador Okê arô. Ora ye ye o Meu canto te encanta, doce, suave, belo demais para não se apaixonar, a dona do ouro me ensinou.
Respeite meu som, minha voz, meu bailar, não sou pixaim, nem negrinho. Tenho cor, nome e sangue, meu lugar é o mesmo para onde todos iremos ao encontro de deus, xiva, oxalá, iremos sempre nos encontrar, vivenciar aventuras isso se chama evolução.
Sigo deixando sementes em mentes férteis, prontas para aprender a somar, a conhecer e a se libertar. Bolhas de sabão são coloridas assim como casulos, aprisionam a essência, ser custa a liberdade de se expressar. Resista, persista, Re Invente, tente novamente, não diga não, fale, grite se possível mas não perca a sua coroa, contra o sistema a educação.