24/05/2026
O maior museu de Icapuí não foi erguido com tijolos, mas construído pela própria comunidade sob as dunas e o mar.
Nesta 24ª Semana Nacional de Museus, o foco se volta para a praia de Ponta Grossa. Muito além do tema “Museus unindo um mundo dividido”, a localidade vive essa união na prática. Há mais de 30 anos, o trabalho autodidata do pescador Josué Crispim iniciou o resgate de um patrimônio invisível. Hoje, são mais de 5.500 artefatos catalogados que narram desde a ancestralidade indígena até o período colonial — incluindo botões, cerâmicas e vestígios de naufrágios históricos na costa cearense.
Esse acervo monumental é a base do projeto do MAPA (Museu Comunitário e Arqueológico de Ponta Grossa). Mais do que guardar peças, a iniciativa se tornou um símbolo de Turismo de Base Comunitária (TBC). A comunidade local se uniu para garantir que a história da região seja uma ferramenta de sustentabilidade, protegendo o território contra a exploração predatória.
A riqueza histórica reconhecida por instituições como UFC, UERN e IPHAN prova que não são necessárias paredes fechadas para abrigar a memória de um povo. A identidade de Icapuí está viva em suas falésias e, principalmente, nas mãos dos moradores que se recusam a deixar sua origem ser enterrada pelo tempo.
Conhecer esse acervo é o primeiro passo para garantir a sua proteção permanente.