29/09/2026
ECONOMIA DO VÍCIO: QUANDO A REPETIÇÃO VIRA NEGÓCIO
Estamos falando sobre bets. E o cuidado com as famílias e a proteção das diferentes infâncias e adolescências precisam estar no centro dessa conversa.
“Economia do vício” é uma leitura crítica de negócios que transformam repetição, permanência e retorno em receita. Nem todos que apostam desenvolvem um transtorno. Mas suas escolhas ocorrem numa arquitetura de acesso permanente, estímulos frequentes, recompensas imprevisíveis e publicidade, muitas vezes, em contextos de vulnerabilidade.
Nas camisas de jogadores, nas transmissões, nas telas: as bets se misturaram ao futebol e ao entretenimento. Entraram na torcida, nas conversas, no cotidiano. Ajudaram a tornar a aposta familiar para crianças e adolescentes que assistem, torcem e participam.
Os efeitos do consumo exagerado ultrapassam quem aposta. Alcançam o orçamento, a saúde mental, a convivência e o cuidado. Crianças e adolescentes não precisam apostar para sentir essas consequências: insegurança, conflitos e sofrimento também atravessam suas vidas.
Proteger as diferentes infâncias e adolescências exige olhar seus contextos, preservar o brincar e a convivência, abrir espaço à escuta e fortalecer redes de apoio. É cuidar também de quem cuida.
Desde outubro de 2025, beneficiários do Bolsa Família e do BPC passaram a ter acesso restringido às plataformas licenciadas. Registros de transferências às bets não comprovam que o dinheiro veio dos benefícios nem autorizam culpabilizar famílias. Pedem atenção às vulnerabilidades e ao ambiente de estímulo às apostas.
Proibir as apostas é um passo para desarticular um sistema de oferta permanente, publicidade massiva e repetição. O cuidado precisa seguir: fiscalização, atenção à saúde mental, orientação financeira e apoio às famílias.
Quando os danos ultrapassam o indivíduo, a resposta também precisa ser coletiva.
Na série Educação, Infâncias e Vida Digital, a conversa continua. No próximo post: a economia da atenção nas redes sociais.