16/05/2026
A vida tem uma maneira silenciosa, e às vezes dolorosa, de nos ensinar aquilo que a pressa nunca nos deixa perceber.
Muitas vezes reclamamos do barulho, da rotina, do excesso, das pequenas interrupções do cotidiano… sem perceber que, em muitos casos, aquilo que hoje nos incomoda pode ser exatamente o que amanhã fará falta.
O problema não está apenas nas situações. Está na forma como nos acostumamos com a presença das coisas, das pessoas e até dos milagres simples da vida.
Nos acostumamos tanto…
com a voz dos nossos pais,
com a bagunça da casa,
com alguém nos esperando,
com a possibilidade de voltar,
que esquecemos que tudo isso é finito.
E talvez uma das maiores tragédias da existência humana seja perceber o valor das coisas apenas quando elas deixam de existir.
Martin Heidegger dizia que o ser humano vive, muitas vezes, distraído da própria finitude. Agimos como se houvesse sempre mais tempo. Mais uma conversa. Mais um abraço. Mais uma oportunidade.
Mas a vida não nos promete permanências. Apenas "agoras".
Por isso, amadurecer talvez seja aprender a olhar para o cotidiano com mais consciência e menos "no automático". É compreender que a felicidade raramente está nos grandes acontecimentos, ela costuma morar nas coisas simples que a pressa insiste em ignorar.
A ambulância, o choro, a louça, a repetição das histórias… tudo isso fala sobre vínculos, existência e fragilidade humana.
No fim, a vida não é feita apenas do que vivemos.
Mas da capacidade de perceber o valor daquilo que ainda temos antes que o tempo transforme presença em saudade!
Porque os dias passam.
E nós também passamos!