12/04/2026
Hoje foi um dia que se abriu como um rito de passagem, desses que a gente guarda no corpo e na memória. O início de uma nova jornada, celebrado da forma que mais me atravessa: ao redor da mesa, entre afetos, palavras e comida.
Convidei minha orientadora de doutorado, Ciris, e aqueles que são presença viva na minha história — Rosane, Adelino, meu amigo-irmão Alessandro e meu querido amorzinho Cláudio. Cada um chegou trazendo sua própria luz, e juntos fomos tecendo uma noite rara, dessas que não se repetem, mas permanecem.
Cozinhar, para mim, é mais do que preparar alimentos. É gesto ancestral. É memória viva das mãos da minha mãe, da minha família, das histórias que vieram antes de mim e que seguem pulsando em cada tempero, em cada panela que se abre em v***r e afeto. Cozinhar é cuidar. É dizer “você importa” sem precisar de muitas palavras.
E ali, entre risos, conversas profundas e trocas sobre teorias, saberes e caminhos, a noite foi se desenhando bonita. Não apenas pelo que se dizia, mas pelo que se sentia.
Em um momento quase suspenso no tempo, a poesia nos atravessou. Recitamos Cora Coralina, e suas palavras pousaram sobre nós como uma delicadeza antiga. Falamos dos muitos amores : os que chegam, os que ficam, os que se reinventam. E também da lua, essa presença que acolhe, que observa, que insinua outras formas de existir e amar — uma lua livre, simbólica, quase insurgente, como os afetos que ousam ser.
Foi uma noite de partilha, de presença verdadeira, de encontros que alimentam mais do que o corpo. Uma noite que reafirma que viver também é isso: celebrar os começos, honrar as raízes e permitir-se ser atravessado pelo amor em suas muitas formas.
E por tudo isso, só cabe gratidão.