06/10/2026
Duas crianças podem apresentar a mesma dificuldade e precisar de caminhos completamente diferentes.
É por isso que, na clínica, identificar o que está difícil é só o começo.
Antes de escolher uma atividade, um jogo ou um material, existe uma decisão anterior: o que, exatamente, eu quero favorecer nessa criança agora?
E essa resposta não vem pronta no nome da dificuldade.
Ela vai sendo construída a partir do que observamos, das hipóteses que levantamos, do que a criança já consegue fazer e, principalmente, de como ela responde às ajudas que oferecemos.
Por isso, uma mesma atividade pode fazer muito sentido para uma criança e pouco sentido para outra.
Não porque a atividade seja boa ou ruim.
Mas porque intervenção não é sobre ter um repertório cada vez maior de atividades. É saber por que escolher uma delas para aquela criança, naquele momento.
E talvez essa seja uma das mudanças mais importantes no olhar clínico:
parar de perguntar primeiro “o que eu posso fazer?” e começar a perguntar “o que essa criança precisa que eu favoreça agora?”
É daí que a conduta começa a ganhar direção.
E na sua prática: o que costuma vir primeiro a escolha da atividade ou a definição do objetivo?