13/09/2024
Toda semente guarda nela um futuro que rompe, e busca expansão. O meio é sempre o potencializador ou castrador dessa experiência.
Nós aipins, ainda enquanto maniva, cheios de potência e desejo de ser, no processo de encontrar caminhos e pessoas que nos dessem esse suporte para desabrochar, fomos achados por uma abuela, uma anciã. Parece aqui um desenrolar poético, mas foi tão prático quanto um adubo deve ser à nova planta.
Ao entrevistar as candidatas a guardiã de nossas crianças, uma delas, a Lili, nos perguntou o que desejávamos, quem éramos? O que responder? O que uma semente responderia a uma anciã sobre o que guarda no broto? Sabíamos um bocado de teorias e tínhamos desejos enormes de comunidade.
Lili foi a escolhida, ou, nós os sortudos de termos sidos escolhidos por ela. Nos ajudou a brotar e fortalecer. Seu foco era nossas crianças, porém sua experiência prática nos alimentou e cuidou enquanto grupo.
Vivemos Comunidade Aipim por quatro anos juntos. O respeito, o carinho e a responsabilidade foram chão fértil nessa relação. Até que o ciclo da vida, desta vez, conduziu ela para sua transformação. E, assim como nos foi apoio enquanto nascíamos, pudemos ser rede em sua partida. Um processo lindo, cheio de sentidos e sentires. Poético e real.
Lili encantou. Se despediu nos ensinando.
E nós? Seguimos reverenciando e referenciando nossa anciã. Agora mais crescidos e com as raízes fortes continuamos a comunidade que sonhávamos ser quando semente.
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