Yoga Contemporâneo

Yoga Contemporâneo

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Página de divulgação de assuntos científicos, filosóficos e espirituais do yoga contemporâneo.

Mestre e Doutor em Ciência da Religião pela PUC-SP, possui a sua graduação em Ed.Física e especialização em Psicologia, Fisiologia e Yoga. Após alguns anos estudando e praticando ioga lançou um livro em co-autoria sobre os aspectos neurofisiológicos e espirituais que envolvem o ioga e a sua mais conhecida prática, a meditação. Após alguns anos trabalhando como voluntário em grupo de estudos de psi

11/08/2026

O erótico começa onde terminam as certezas sobre nós mesmos. Estamos acostumados a pensar o desejo como algo que podemos compreender, administrar e, quando necessário, controlar.

Aprendemos a transformar o corpo em projeto, prazer em mercadoria e sexualidade em espiritualidade técnica.

Mas e se existirem experiências que não querem nos tornar melhores, conscientes ou equilibrados? E se algumas experiências simplesmente nos colocarem em risco? É nesse território que encontramos Georges Bataille.

Durante 8 encontros, vamos nos dedicar à leitura de O Erotismo, acompanhando uma pergunta que atravessa toda a obra: por que o erotismo pode colocar o próprio ser em questão?

Para Bataille, não somos apenas corpos que desejam outros corpos, mas seres descontínuos, separados e encerrados nos limites de nossa existência, mas atravessados pelo desejo de ultrapassar essa separação.

O erotismo aparece nessa tensão entre aquilo que nos mantém como indivíduos e o que, por um instante, pode nos fazer perder essa segurança.

Por isso, falar de erotismo será tb do interdito e transgressão, de continuidade e descontinuidade, desejo e angústia, de corpo, paixão, sagrado e morte.

Muito do q nos atrai pode tb inquietar almas q não se deixam domesticar. O/As indóceis sempre ameaçam a/os buscadores de estabilidade.

A partir de Bataille, colocaremos essas questões em interlocução com o yoga/meditação e a psicanálise. Não para encontrar equivalências fáceis, espiritualizar o erotismo ou transformar Bataille em mais uma ferramenta de autoconhecimento, mas deixar que esses campos se interroguem mutuamente pra nos desorganizar.

Numa cultura líquida que quer transformar toda experiência em benefício, cura, desempenho ou evolução pessoal, Bataille nos conduz para aquilo que excede a utilidade e não se deixa domesticar tão facilmente pela teologia da prosperidade.

Não será uma jornada de transformação. Será uma aventura de pensamento.

Adentrar ao erótico é aceitar, por algum tempo, não saber exatamente quem somos qdo aquilo que desejamos começa a colocar em questão a maneira como nos reconhecemos.

Todas as quartas ao vivo (16h), mas f**a gravado.
+INFOS: link na blaus

Photos from Yoga Contemporâneo's post 24/07/2026

Imagine um mapa. Não um mapa de ruas, mas um dos caminhos invisíveis que percorremos ao longo da vida.

Nele aparecem nossas palavras, relacionamentos, buscas espirituais, nossos sintomas, namores e até aquilo que acreditamos ser nossa missão.

À primeira vista parece que caminhamos livremente. Mas, quando olhamos com mais atenção, percebemos que muitos desses caminhos já estavam parcialmente desenhados pelas histórias que ouvimos, pelas expectativas dos outros, pelas experiências da infância e pelas imagens de felicidade que aprendemos a perseguir.

Esse mapa mostra que raramente desejamos algo de forma totalmente espontânea. Grande parte do que buscamos foi aprendida nas relações. Desejamos pq fomos ensinados a desejar determinadas coisas, modos de viver e até formas de sofrer.

A travessia pra nos conheceremos revela sempre um paradoxo: qdo finalmente alcançamos aquilo que acreditávamos querer, frequentemente a satisfação dura pouco. Logo surge um novo objetivo, uma nova falta, uma nova promessa de plenitude.

Não pq haja algo errado conosco, é q o desejo humano não funciona como uma lista de tarefas que pode ser concluída. Ele se reorganiza continuamente. Infinita.

O sofrimento aparece qdo confundimos esse movimento natural do desejo com a crença de que existe, em algum lugar, um objeto, uma técnica, um mestre, uma experiência espiritual ou uma prática capaz de preencher definitivamente essa sensação de incompletude.

A vida, a qq um suficientemente atento, mostra repetidamente que isso não acontece.

O verdadeiro trabalho não consiste em eliminar a falta, mas em aprender a escutá-la. Quando deixamos de tratá-la como um defeito a ser corrigido e passamos a reconhecê-la como parte da condição humana, nossa relação com o corpo, com a espiritualidade e com os outros se transforma.

Entrando em modo OFF. Já já eu volto.

Enqto isso, converse entre vcs e se conseguirem, pausem tb. É-bão. Continuarei nos encontros de quarta do Gpo de Estudos, ter/qui no Gpoterapia e minha clínica pessoal de atendimentos individuais como psicanalista com agenda aberta.

Os links estão na BIO.
Divirtam-se, td passa logo.

Photos from Yoga Contemporâneo's post 23/07/2026

E se o yoga precisasse ser pensado depois da queda do céu?

A partir do encontro entre a crítica indígena de Davi Kopenawa e as tradições do yoga, proponho uma pergunta incômoda: faz sentido continuar tratando o sofrimento contemporâneo apenas como um problema individual a ser regulado por técnicas de respiração, posturas e meditação?

Talvez uma clínica do yoga não seja, antes de tudo, um conjunto de procedimentos para produzir bem-estar, desempenho emocional ou adaptação ao mundo tal como ele é. Talvez ela comece quando percebemos que o mal-estar também é ecológico, político e relacional e que a separação entre sujeito, corpo e mundo é parte do próprio problema.

O texto percorre tradições como o Yoga Sūtra, o Vedānta, o Śaivismo da Caxemira e o Ta**ra para mostrar que muitas delas pensaram o sofrimento como uma forma de contração da experiência, de esquecimento da interdependência e de ruptura com uma ordem mais ampla da vida.

A pergunta, então, deixa de ser “como aliviar meus sintomas?” e passa a ser: Como reconstruir modos de existir que não estejam fundados na exaustão, na mercadoria e na devastação do mundo?

Escrevi um ensaio de maior fôlego (mas que nunca esgotará o assunto) desenvolvendo essas ideias e discutindo o que poderia signif**ar, hoje, uma possível clínica do yoga em diálogo com a crítica indígena e as tradições do sul da Ásia.

Leia o texto completo em:
www.yogacontemporaneo.com

Título: “Depois da queda do céu: elementos para pensar uma possível clínica do yoga nas tradições do yoga sul-asiático”

21/07/2026

Yogues são estranhos, esquisitos e plurais. Não há como defini-los sem incorrer em erros grotescos. Mas ainda sim tentamos.

Mas que pira é essa q nos faz silenciar no cerne de qq yogar q é meditar? Meditar não é pensar ou cessar os pensamentos, indesejar ou qq Outra coisa. Estamos perto (chegamos até a sentir o aroma) do mistério em yoga.

Mas pq yoga e nao, sei la, tai-chi ou capoeira? A própria palavra yoga é coisa rara e recente, não havia antes um nome pra o q os “populares”, incultos e “aborígenes” praticavam antes da cultura védica dar o nome do não era deles antes.

O bom-senso, melhor do q consenso, é que meditar/yogar não pertence a ninguém; ou melhor, ele é humano e floresceu yoga entre sul-asiáticos: swamis, budistas, jainistas, sikkhis e agora, pajes e empresários tb yogam. É isso é lindo q dói.

Dói tanto q alguns, se compreendendo guardiões dISSO-Yoga-Coisa brigam pra defender o q nunca pediu proteção. Pelo contrário, sempre correu a margem.

É curioso como yogares se domesticaram na imago de calmaria, bem-aventurados e felizes eternos sem dores, pois yogues são filhos e filhas do Deus(a) Shiva, lit. Destruidor q dança botando fogo na ignorância/alienacao. Ele e Durga, pais de Skanda (Deus da Guerra) e Ganesha (um exu-mirim portando machado nas mãos).

Nada no yoga remete a paz e nao-violencia, mas a luta: estar sendo amassado nos 100kg de um enorme rola infinito de jiu-jítsu.

Meditar tiozão traz alívio, mas não se resume a prática. Só os desatentos imaginam isso. É q nao é sobre sair do ponto A para o ponto B; mas ligar q td é B.

Yogues são brabos sim, f**am putos… pois como se desalienar (vidya) e sair ileso disso?

Photos from Yoga Contemporâneo's post 20/07/2026

Quando voltamos às escrituras do yoga, encontramos uma imagem do mestre muito diferente daquela que se tornou comum em certos ambientes espirituais contemporâneos.

A Bhagavad Gītā não descreve o mestre/guru como alguém onisciente. Krishna orienta Arjuna a procurar os “tattva-darśinaḥ”, isto é, “aqueles que viram a realidade” (Gītā 4.34).

Ver a realidade não signif**a conhecer todos os fatos do universo, entrementes, ter atravessado uma transformação existencial (ou fantasia primordial q o organizava) que permite discernir a SUA vida de outra maneira.

As Upaniṣads aprofundam essa ideia. A Muṇḍaka Upaniṣad (1.2.12) afirma que o buscador deve procurar um outro humano que seja śrotriya e brahma-niṣṭha.

A primeira palavra quer dizer, lit., “alguém que ouviu” ou alguém formado na TRADIÇÃO DA ESCUTA e do estudo. A segunda indica alguém cuja vida está firmemente orientada por essa realização.

O texto não fala de infalibilidade psicológica, nem de perfeição moral absoluta, nem de ausência de sofrimento.

Nos Yoga Sūtras, Patañjali faz uma distinção ainda mais precisa. A única figura descrita como não tocada pelos kleśas (ignorância, egoísmo, apego, aversão e medo), pelo karma e por suas marcas é Īśvara = Deus (YS 1.24).

Ou seja, a condição de completa liberdade em relação ao sofrimento é atribuída ao princípio divino, não ao professor/guru humano.

Isso muda muita coisa.

O “mestre”, na Gita, YS e Vedanta, não é apresentado como alguém que não tem dúvidas, se confunde ou sofre, mas que permanece em escuta: da sua tradição/Cultura, do Real, dos próprios limites e do (pasmem os incrédulos) discípulo/aluno/sadhaka=iniciante no yogar.

A autoridade nasce dessa maturidade de escuta, não da pretensão de possuir todas as respostas ou de horas isolado do convívio humano em contemplação.

A própria tradição védica chama seus textos revelados de śruti ou “aquilo que foi ouvido”.

O conhecimento começa pela capacidade de ouvir, e não de repetir ou parecer alguém que já sabe-tudo.

A pergunta decisiva, portanto, não é “quem é o mestre/prof. perfeito?”, mas que tipo de relação com o não-saber permite continuar aprendendo sem transformar a própria experiência em dogma.

17/07/2026

Passamos boa parte da vida acreditando que despertar signif**a eliminar nossos conflitos, medos, traumas e contradições. As vezes, o verdadeiro despertar não seja se transformar uma pessoa perfeita, mas aprender a viver de outro modo com aquilo que nunca desaparecerá completamente.

Existe em cada pessoa um ponto que não é simplesmente uma ferida a ser curada nem um bloqueio energético a ser dissolvido. É uma maneira singular de existir, um modo muito próprio de amar, sofrer, desejar, criar e dar sentido ao mundo.

Durante muito tempo tentamos combater esse ponto, acreditando que ele era um defeito. No entanto, é justamente ali que nossa singularidade se manifesta.

Quando deixamos de lutar contra essa marca e aprendemos a fazer dela uma forma de criação, algo muda profundamente. O sofrimento deixa de organizar toda a existência. Não pq desapareceu, mas deixou de ser um inimigo.

Despertar, então, não seria escapar da condição humana, alcançar um estado permanente de paz ou transcender definitivamente o ego. Seria abandonar a fantasia de que existe uma versão perfeita de nós mesmos esperando para ser descoberta.

O caminho espiritual deixa de ser uma corrida em direção à pureza e se torna uma prática de habitar a própria vida com mais responsabilidade, menos idealização e maior liberdade.

Nesse sentido, maturidade espiritual não é viver sem sintomas, entrementes, deixar de ser governado por eles. É descobrir uma forma singular de transformar aquilo que antes nos aprisionava em um modo de sustentar a própria existência.

Talvez a pergunta mais importante deixe de ser: “Como me livrar do meu sofrimento?” e passe a ser: “Como posso viver de forma criativa com aquilo que faz de mim alguém absolutamente único?”

É nesse deslocamento que muitos processos de transformação realmente começam. Não qdo nos tornamos outra pessoa, mas deixando de desperdiçar energia tentando fugir de quem somos: nunca uma essência - é q somos condenados a sermos nós mesmos.

16/07/2026

Fracassar virou um pecado. E talvez esse seja um dos maiores problemas da espiritualidade contemporânea.

Vivemos uma quadra da história (sim, eu ouço Medo e Delírio) em que terapeutas holistas, professores de yoga e facilitadores de medicinas “alternativas” são pressionados a ocupar permanentemente o lugar daquele que sabe, daquele que cura, que está sempre bem. Como se a própria autoridade dependesse da impossibilidade de falhar.

Mas há um preço alto por essa fantasia - além de começar acreditar nessa estupidez.

Quando o fracasso deixa de ser permitido, o sofrimento deixa de poder ser vivido. Ele passa a ser administrado, mascarado ou convertido em discurso motivacional.

O terapeuta se transforma em gestor de sintomas: precisa controlar a própria dor para continuar vendendo a imagem de equilíbrio, ao mesmo tempo em que oferece aos outros técnicas para administrarem seus desconfortos.

A questão é que nem toda dor precisa ser eliminada. Algumas precisam ser escutadas.

Uma cultura obcecada por desempenho produz também uma espiritualidade da performance: medita-se para render mais, respira-se para controlar emoções, pratica-se yoga para otimizar a própria vida.

O sofrimento se torna um erro de gestão, quando é, muitas vezes, justamente ele que esteja apontando para aquilo que ainda insiste em pedir elaboração.

A tarefa de um terapeuta esotérico (como tu q joga tarô, lê maoa astral e da suas aulas de meditação às 6h da manhã vestida de branco) não é se apresentar como alguém que venceu definitivamente o sofrimento.

A sua responsabilidade é muito mais modesta e, justamente por isso, muito mais ética: sustentar um espaço onde o fracasso, a dúvida e a vulnerabilidade possam existir sem serem imediatamente corrigidos.

Tu não sabe e ninguém sabe.

Não se perde. É q uma prática espiritual-terapêutica (tipo reiki ou yoga) que não suporta o fracasso corre o risco de produzir apenas sujeitos cada vez mais eficientes em esconder aquilo que mais precisam encontrar.

O fracasso não é o contrário da cura. Muitas vezes, é onde ela finalmente pode começar.

Temos Grupoterapeuticos em base psicanalítica tds as terças às 10h e quintas às 16h.

LINK BIO.

15/07/2026

Quando pensamos em um mundo em colapso, geralmente imaginamos destruição. Mas um mundo não acaba apenas quando suas estruturas desaparecem; ele acaba quando as relações que davam sentido à existência deixam de funcionar.

E talvez seja justamente por isso que a história do yoga seja tão importante revisitarmos.

O yoga nunca nasceu em um mundo estável. Os yogues apareceram em momentos de transformação, criando formas outras de relação entre corpo, consciência, natureza e cosmos.

No terceiro capítulo dos Yoga Sūtras de Patañjali, o yogue não é apresentado como alguém buscando bem-estar, conhecimento “superior” ou equilíbrio, mas aquele que, através do saṃyama, transforma sua própria relação com a realidade. Não se perde tiozão, tu não leu direito o cap.3.

O yogue des.perto (de si e em relação) não muda apenas a si mesmo, entrementes, produz um outro mundo.

Com a chegada do colonialismo europeu à Índia, outro “céu” começou a cair. As formas tradicionais de conhecimento foram confrontadas pela ciência moderna, pelo cristianismo, educação colonial e por novas ideias sobre corpo e progresso. O yoga precisou se reinventar uma vez+

Vivekananda aproximou yoga e espiritualidade universal, Ramakrishna construiu pontes entre tradições religiosas, Kuvalayananda dialogou com a ciência, Sivananda criou uma pedagogia global, Krishnamacharya, Iyengar e Jois inventaram o yoga postural moderno.

Eles não estavam apenas preservando o passado, mas criando futuros antes impossíveis.

Talvez essa seja a grande lição para nosso tempo: o yoga nunca foi uma tentativa de impedir que os céus caíssem mas de artistas do corpo atravessando colapsos.

O desafio do yogar hj não é recuperar um mundo perdido; é participar da criação de novas formas de relação. Yogar hoje (neste momento pós-linhagem) exige aprender a criar mundos/sentidos depois da queda do céu.

Hj tem Gpo de Estudos e estamos estudando como yogar num mundo em colapso, inspirados por Davi Kopenawa e a psicanálise.

LINK NA BLA BLA
ou me escreve no privado q o tio explica

14/07/2026

Liberte-se do yoga antes de alcançar o kaivalya!

Parece um paradoxo. E insisto que seja justamente essa a questão.

Há um momento em que o yoga deixa de ser uma prática de investigação e passa a se organizar como uma identidade. O praticante já não pergunta o que o transforma, mas o que esperam dele.

Em vez de escutar a própria experiência, procura corresponder às exigências da tríade {{guru–escritura–escola}}. Pouco a pouco, aprende a ser tudo, menos ele mesmo.

Não há problema em haver tantos mestres, textos e suas tradições/traduções. O problema começa quando eles deixam de orientar o caminho e passam a determinar quem você deve ser para merecer percorrê-lo.

Yogues dis.traídos tendem a renunciar à própria singularidade em troca de pertencimento. A vida espiritual não está imune a esse mecanismo.

Também nela pode surgir um ideal impossível: o yogue perfeitamente sereno, desapegado, puro, desperto.

E, quanto maior o ideal, maior a culpa por nunca alcançá-lo (delírio). E quanto maior a culpa/falta, maior a dependência de quem promete indicar o próximo passo.

Talvez seja por isso que tanta gente passe anos praticando sem jamais se sentir suficientemente bem ou pronto.

A promessa do kaivalya/liberdade de td e qq sofrimento (senso-comum) corre o risco de se transformar numa esperança sempre adiada, alimentando uma busca infinita por purif**ação, reconhecimento e aprovação.

{{Libertar-se do yoga}} não signif**a abandonar a prática, mas libertá-la da função de capturar o seu desejo. Signif**a deixar de praticar para se tornar a imagem ideal (cosplay de brâmane) de um discípulo e voltar a praticar para encontrar uma forma singular de existir.

A maior prisão espiritual talvez não seja o sofrimento, mas a crença de que existe alguém que sabe quem você deveria ser (aqueles que não sabem q não sabem amam repetir esse mantra).

\\Quem sabe// o primeiro passo em direção à liberdade seja justamente se libertar do yoga que o impede de ser livre?

Photos from Yoga Contemporâneo's post 13/07/2026

A relação entre mestre e discípulo costuma ser explicada em termos espirituais. Sudhir Kakar propõe um deslocamento decisivo: antes de ser apenas um fenômeno religioso, ela é também uma relação psíquica.

Em Shamans, Mystics and Doctors, Kakar, o psicanalista indiano formado na tradição freudiana e profundo conhecedor das culturas do sul da Ásia, investiga as práticas de xamãs, místicos, médicos ayurvédicos e gurus como formas culturalmente situadas de cuidado, sofrimento e transformação.

Seu interesse não é determinar a verdade das experiências espirituais, mas compreender quais processos subjetivos tornam essas figuras socialmente ef**azes.

A obra demonstra que nenhuma prática terapêutica ou espiritual pode ser analisada isoladamente de seu contexto simbólico. A autoridade do guru, a confiança do discípulo, os rituais, as narrativas e os sistemas de crenças constituem uma mesma rede de signif**ações, dentro da qual a experiência de cura e de transformação se torna possível.

Essa perspectiva rompe tanto com a idealização ingênua da espiritualidade quanto com o reducionismo que explicaria a religião/espiritualidade apenas como ilusão. Em vez disso, Kakar oferece uma leitura que articula psicanálise, antropologia e história das religiões para compreender a experiência espiritual em sua complexidade.

No novo ensaio publicado no blog Yoga Contemporâneo, examino essa obra clássica e discuto suas implicações para o yoga nos dias de hoje, especialmente para as relações entre guru/xamã e discípulo/consulente, os mecanismos de transferência, a construção da autoridade espiritual e os limites entre cuidado, dependência e transformação.

Uma leitura que pode interessar pesquisadores, professores de yoga, terapeutas e todos aqueles interessados em compreender a espiritualidade para além das dicotomias entre crença e ceticismo.

Leia o ensaio completo no blog YogaContemporâneo.com

Referência Bibliográf**a
KAKAR, Sudhir. Shamans, mystics and doctors: a psychological inquiry into India and its healing traditions. Chicago: University of Chicago Press, 1991.

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