17/09/2026
Outro dia fiquei pensando numa coisa meio incômoda.
Tem gnt q está há anos fazendo yoga, meditando, lendo, fazendo terapia, formação, retiro, curso, estudando filosofia, descobrindo novos mestres e novas práticas. E continua sem saber muito bem o que fazer da própria vida.
A primeira reação costuma ser procurar mais alguma coisa.
Mais uma técnica.
Mais um livro.
Mais uma formação.
Mais uma explicação sobre quem somos e sobre o que deveríamos fazer com aquilo que somos.
É curioso, pq muitas vezes o problema não seja exatamente estar perdido, mas seguindo demais.
A gnt aprende muito cedo a procurar alguém q saiba: um professor, tradição, teoria, método, autoridade, algoritmo. E, qdo alguma coisa aperta por dentro, quase sempre aparece a tentação de perguntar: “qual é o caminho?” = me organize de fora por favor!
Só q existe uma pergunta anterior, e as vezes mais difícil: “o q estou fazendo com a minha própria vida?”
Não é uma pergunta q uma prática 2-3x/sem possa responder por nós.
Yoga pode oferecer uma linguagem. A meditação abrir um espaço. A filosofia deslocar algumas certezas. A psicoterapia pode colocar signos onde antes havia apenas sofrimento.
Mas nenhuma dessas coisas deveria nos poupar do trabalho de inventar uma direção, transformando sintoma em rota de fuga do q não se resolve e gira numa circuitaria de gozo e dor.
Talvez um percurso seja justamente isso, a travessia de um maya q nos organize e deixou de fazer sentido pois atravessado por outros afetos agora.
Não encontrar finalmente o caminho certo, mas recuperar, aos poucos, a capacidade de caminhar sem precisar q alguém esteja o tempo inteiro dizendo para onde ir = retomar o processo criativo da vida uma vez mais.
Tenho investigado bastante nisso ultimamente: um outro Percurso. Sem promessa de iluminação. Apenas um lugar pra pensar, junto, o q fazemos daquilo que fizeram de nós.