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01/04/2021
Conheça nossas espécies
As pequenas e misteriosas raias Psammobatis rutrum e Psammobatis extenta pertencem a família Arhynchobatidae. São endêmicas do atlântico sudoeste, ocorrendo do Rio de Janeiro, Uruguai ao norte da Argentina. Essas raias são de profundidade, sendo encontradas geralmente entre 73 a 150 e ~40 m, respectivamente. Podem alcançar até 30 cm e estima-se que o comprimento de maturidade sexual seja em torno de 25-26 cm. São ovíparas, com os ovinhos sendo depositados em fundos arenosos e lamacentos. Um fato interessante, é que além de terem ovos característicos, os mesmos podem auxiliar na diferenciação taxonômica das espécies do gênero.
Apesar de simpáticas, se sabe muuuuuito pouco sobre essas raias, sendo necessários mais estudos. A principal ameaça para as Psammobatis é a pesca de arrasto de fundo, mas ainda não se sabe a extensão do impacto nas populações dessas espécies. Atualmente, são classif**adas como dados insuficientes pelo ICMBio.
Fonte:
ICMbio (2016). Avaliação do risco de extinção dos
elasmobrânquios e quimeras no Brasil:
2010-2012
Martins, M. F., & Oddone, M. C. (2017). Reproductive biology of Psammobatis rutrum (Chondrichthyes: Arhynchobatidae) in south Brazil, south-west Atlantic. Journal of Fish Biology, 91(2), 443–459. doi:10.1111/jfb.13350
BRACCINI, J. M., & CHIARAMONTE, G. E. (2002). Biología de la raya Psammobatis extenta (Garman, 1913)(Batoidea: Rajidae). Revista chilena de historia natural, 75(1), 179-188.
19/02/2021
Façam suas apostas, quem acumula mais contaminantes? Um predador rei dos mares ou uma raia que f**a escondidinha nos sedimentos?
Pergunta nada fácil de responder, sempre escutamos que quanto maior o nível trofico, mais contaminado está o animal, o que em partes tende a ser verdade, mas precisamos levar em consideração que a maior parte dos contaminantes (ex: metais, petróleo e plástico) vai para os sedimentos, sendo assim as raias pequeninas também estão ameaçadas!
Se considerarmos um tubarão pelágico e uma raia bentônica habitando uma área extremamente industrializada há grandes chances das raias estarem em uma situação pior, pois além de viverem em contato com o sedimento, se alimentam de animais bentônicos, aumentando a carga de contaminação no organismo!
É importante lembrar que o hábito e o nível trofico representam apenas dois fatores que influenciam no processo de bioacumulação, existem inúmeros outros ambientais e fisiológicos que influenciam nesse processo.
17/02/2021
Oi cardume!!! Sou a Ingredy Monroe
Enfermeira e pesquisadora do Laboratório de Organismos Aquáticos da Universidade Federal do Maranhão – UFMA.
Mestre em Saúde e Ambiente pela Universidade Federal do Maranhão -UFMA.
Aprovada no seletivo do Doutorado da Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal - BIONORTE
Desenvolve trabalho sobre os acidentes causados por elasmobrânquios em seres humanos e os impactos na saúde humana. No Doutorado desenvolverá estudo sobre a composição do muco e veneno de raias dulcícolas e marinhas da região amazônica, em parceria com o seu orientador Dr. Jorge Nunes (UFMA) e co-orientadora Dra. Rachel Davis (Fiocruz). A análise permitirá identif**ar a composição do muco e veneno das raias e os efeitos das toxinas em células musculares, de forma a identif**ar a toxicidade das substâncias, bem como identif**ar a sintomatologia destes acidentes.
Os acidentes com elasmobrânquios são bastante comuns nas comunidades pesqueiras. Diante da elevada frequência de acidentes em pescadores artesanais, ocorrência de sequelas incapacitantes, inexistência de antídoto e medida caseiras que podem agravar as lesões, o estudo sobre os acidentes com animais aquáticos e impactos na saúde humana tem sido realizado pela pesquisadora em parceira com seu orientador há alguns anos, com a finalidade de promover educação em saúde às populações vulneráveis da região amazônica.
15/02/2021
E aí cardume? Aqui vai uma estatística chocante!
Não é só as tartarugas que sofrem com os plásticos! Um estudo de 2020 chegou a conclusão que 67% dos tubarões que possuem hábito bentônico ou demersal (aqueles que f**am no fundo do oceano) estão contaminados com microplásticos, ok isso é ruim, mas piora!
Outro estudo de 2019 analisou o conteúdo estomacal e f***l de raias mantas e de tubarões baleias para quantif**ar os plásticos existentes e ainda simulou o volume de filtração de microplaticos com base em uma região da Austrália, chegando a estimativa de ingestão média de 136,9 fragmentos de microplástico por hora para os tubarões baleia e de 62,7 para as raias manta no período chuvoso. De tudo o que esses animais filtram, no mínimo 11% é plástico! Claro que esses dados variam para cada região, mas são resultados assustadores e vale lembrar que pouquíssimo desses plásticos são excretados.
15/10/2020
Hoje estamos aqui para parabenizar nossa incrível Boss . 🥳🥂
Apesar de hoje ser oficialmente seu primeiro dia do professor como professora, nós gostaríamos de relembrar que você é professora há muito tempo 👩🏫 Professora não apenas de metodologias, escrita, análises e pensamento crítico, mas professora de cuidado, paixão, zelo e luta pelos animais ❤️🦈🐒🐶🦀 Obrigada por nos ensinar tanto, por nos mostrar que nossos limites sempre podem ser ultrapassados e por fazer o nosso time tão produtivo, unido e amoroso. Você é uma excelente boss e te desejamos um Feliz dia dos professores e que você continue ensinando e iluminando muitos alunos. Sempre estaremos aqui, atentas a sua próxima lição 🎉Parabéns boss 🎊
E Feliz dia dos professores a todos os professores que seguem lutando pelo conhecimento e por um mundo melhor 👩🏫💪
09/10/2020
Olá cardume? preparados para mais um evento incrível e repleto de conhecimento?
No dia 17 de Outubro é comemorado o dia Internacional dos Peixe-serra (International Sawfish Day). Estas raias são consideradas um dos grupos de elasmobrânquios mais ameaçados da atualidade, sendo necessárias medidas de conservação urgentes para garantir que estes belos animais não sejam extintos da natureza em futuro muito próximo.
E é claro que não poderíamos deixar de comemorar esta data tão importante com o cardume mais bonito do Brasil! Por isso o GEEP preparou um evento para lá de especial! Como muitas atividades irão ocorrer no dia 17 (inclusive dos nossos parceiros do GEEM, fiquem ligados no instagram deles), optamos por realizar nosso evento um dia antes! Serão duas palestras incríveis no dia 16 de Outubro, das 18h às 21h! As incrições serão feitas pelo Sympla no dia 12 de Outrubro às 13hrs (horário de Brasília). Fiquem atentos pois as vagas serão limitadas (50 no total)!
Ficaram animados? Então bora lá conhecer os nossos palestrantes!
05/10/2020
👉🏾 Tubarões e tempestades subaquáticas 👈🏾
🌊 O oceano é um ambiente dinâmico, guiado pelo movimento constante do vento e correntes e no meio disso existem grandes áreas de turbilhão que se desprendem de correntes maiores. 🌪️ Estes redemoinhos possuem uma "temperatura interna" diferente do oceano, transportando calor, sal e até plâncton ao redor do mundo. Mas o que acontece com os animais quando se deparam com essas tempestades subaquáticas? 🤔
Mas e o que eles descobriram? 🤷🏿♂️
Após muitas horas de análise 🖥️ eles descobriram que os tubarões procuravam pelos redemoinhos e uma vez dentro deles, os tubarões exibiam comportamento de forrageamento, ou seja, procuravam por alimento. 😋 Isso explica relatos anteriores de cefalópodes 🐙 e outras espécies de peixes 🐟 do fundo do mar encontrados no estômago de tubarões azuis.
🤔 Mas ao invés de procurar pelos redemoinhos, porque eles não apenas nadam para o fundo? 🤔
Os pesquisadores disseram que tudo se resume à fisiologia térmica dos tubarões azuis. Ao contrário de outros peixes, como o atum, que pode aquecer seletivamente partes do corpo, os tubarões azuis são verdadeiros ectotérmicos, ou seja, a temperatura do corpo é a mesma do ambiente. 🌡️ A temperatura dentro dos redemoinhos é frequentemente 10ºC mais quentes que o oceano em volta e se os tubarões azuis mergulhassem para o fundo, poderiam atingir os limites de sua biologia térmica. 🤯🤯
Fonte
Borowiec, B. G. (2019). Whirlpools are hotspots for hungry sharks. Journal of Experimental Biology, 222(21).
Braun, C. D., Gaube, P., Sinclair-Taylor, T. H., Skomal, G. B., and Thorrold, S. R. (2019). Mesoscale eddies release pelagic sharks from thermal constraints to foraging in the ocean twilight zone. Proc. Natl. Acad. Sci. USA 116, 17187-17192. doi:10.1073/pnas.1903067116
10/09/2020
Opa tem um predador vindo! E agora? 😰😱
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Isso não é problema para o tubarão-gato ou Swell shark (𝐶𝑒𝑝ℎ𝑎𝑙𝑜𝑠𝑐𝑦𝑙𝑙𝑖𝑢𝑚 𝑣𝑒𝑛𝑡𝑟𝑖𝑜𝑠𝑢𝑚)🦈. Quando se sente ameaçado esse tubarão agarra a nadadeira caudal com a boca formando um U com o corpo (imagem 3), em seguida ele engole grandes porções de água e infla seu corpo até o dobro do seu tamanho (imagem 4)! E não para por ai, ele também consegue inflar seu corpo com ar!
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Um estudo detalhado desse mecanismo verificou que o estômago desses animais é divido em duas partes (imagem 5). O estômago cardíaco, que segue o esôfago, e o estômago pilórico, que segue o estômago cardíaco e leva ao duodeno. Quando o tubarão engole água ou ar, ambos são direcionados e retidos no estômago cardíaco, que é o órgão que incha e infla a barriga do tubarão. Passando a ameaça, o tubarão swell emite um som parecido com latido de cachorro, devido a expulsão do ar ou água.
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Essa estratégia é eficiente e dificulta que o predador consiga morder, engolir ou retirar nosso amigo swell shark de tocas. Parece que o jogo virou não é mesmo? 🦈💪
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Incrível né? Já sabiam disso? conta aqui pra gente nos comentários! Não esquece de compartilhar com todo mundo!
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02/09/2020
Olá Cardume! Vem novidade por aí!
Entre os dias 6 e 13 de setembro irá acontecer o 1º ElasmoWeek e o GEEP estará participando. Uma semana inteira para mostrar a real pesquisa de elasmobrânquios realizada por diversos cientistas ao redor do mundo. O evento irá acontecer diariamente das 8 - 10pm EST (21h às 23h horário de Brasília) de maneira online, gratuita e transmitida pelo canal do Youtube “Minorities in Shark Sciences”. Então para acompanhar essa programação incrível já se inscreve no Canal e segue no insta ! Você também pode acompanhar todas as informações direto no twitter do .
31/08/2020
Simmm sinhô! Mas como assim? 😱 A gente explica!
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As raias-elétricas do gênero 𝐵𝑒𝑛𝑡ℎ𝑜𝑏𝑎𝑡𝑖𝑠 spp. e a blind sleeper ray (𝑇𝑦𝑝ℎ𝑙𝑜𝑛𝑎𝑟𝑘𝑒 𝑎𝑦𝑠𝑜𝑛𝑖) possuem olhos vestigiais extremamente reduzidos e que são escondidinhos pela pele. Eles são visíveis nos animais, com muuuuita dificuldade, como pequenos pontinhos anteriores aos espiráculos.
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Apesar de não enxergarem, elas vão muito bem obrigada 😎. Isso porque essas pequenas raias são animais de profundidade. Sendo assim, possivelmente outros sentidos são aguçados e a falta de visão não interfere na sobrevivência do animal.
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Legal né? 🥰Já sabiam dessa curiosidade?
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Fontes: Carvalho et al., 2003; Garrick, 1951; Last et al., 2016; Rincon et al., 2001
07/08/2020
É com muita felicidade que anunciamos mais um trabalho publicado por membros da equipe do Geep 🎉 É sobre um caso de distocia...
“Ta mas pera aí, o que é Distocia?” 🤔❓ A distocia é quando a mãe não consegue dar à luz ao filhote 🤰😢 Isso pode acontecer por diferentes motivos, por exemplo, a mãe pode ter idade avançada, nesse caso as mamis idosas 👩🦳 podem ter a capacidade abdominal de realizar as contrações reduzidas. Outro motivo pode ser o tamanho muuuito grande do filhote ou por ele estar em uma posição inadequada para o parto 😕
Para os nossos queridos elasmobrânquios (até então), só havia registros de distocia em animais em cativeiro.
Nesse trabalho trazemos 𝗲𝘃𝗶𝗱𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗱𝗶𝘀𝘁𝗼𝗰𝗶𝗮 𝗻𝗮 𝗿𝗮𝗶𝗮 𝗰𝗮𝗰𝗵𝗼𝗿𝗿𝗼 (𝑅ℎ𝑖𝑛𝑜𝑝𝑡𝑒𝑟𝑎 𝑏𝑜𝑛𝑎𝑠𝑢𝑠) de vida livre🌊
Essa mami (enooooorme e idosa) foi entregue a nossa equipe já morta, durante a amostragem nossa equipe percebeu as nadadeiras do filhote saindo da cloaca 😱 Prontamente corremos para retirar o filhote na esperança de salvá-lo, infelizmente ele tinha recém morrido 😭 “Ah mas como vocês sabem que ele recém tinha morrido?” Porque animais que morreram há mais tempo f**am “duros” (rigor post-mortem), as brânquias f**am escuras (cinzas ou pretas), os olhos f**am retraídos (pra dentro) e o sangue coagula, e o baby não tinha nada disso.
Nesse trabalho nós fizemos análises fisiológicas do sangue 👩🔬e descobrimos que o filhote provavelmente morreu devido à falta de oxigênio, e que a distocia provavelmente foi uma consequência da idade avançada da mami, mais o estresse da captura e o tempo em que ela ficou presa na rede.
‼️A mensagem importante aqui cardume, é que devemos prestar atenção nas gravidinhas, tentando priorizar ao máximo a soltura delas quando são capturadas incidentalmente, afinal elas possuem maior dificuldade em se recuperar do estresse da captura‼️
Legal né? Ficou curioso? O link para baixar o artigo está no link da bio ☝️ E Segue o que eles sempre postam trabalhos muuuuito legais