27/05/2021
História da Música Popular Brasileira - Vanguarda Paulistana
A Vanguarda Paulistana foi um movimento musical criado pelo paranaense Arrigo Barnabé (1951-) em meados da década de 1980. O nome, que foi cunhado pela imprensa, por entender se tratar de um movimento considerado de “vanguarda”, não agradava seu criador, que dizia não gostar do rótulo. Arrigo Barnabé começou o movimento em Londrina-PR, porém logo expandiu-se para São Paulo na década de 1980, onde ganhou maior popularidade. Tendo como espaço principal o teatro Lira Paulistana. Vale notar que, apesar da popularidade, o movimento era mais restrito a nichos universitários (SEVERIANO, 2017).
Os trabalhos de Arrigo Barnabé são marcados por um “experimentalismo radical”, influenciado por compositores como: Pierre Boulez, Stockhausen, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outros. Segundo o próprio Arrigo: “eu criei um sistema de composição que é uma mistura de música popular e música erudita moderna”.
Itamar Assumpção (1949-2003), amigo, companheiro de palco e de composição de Arrigo, foi outro membro importante do movimento. Com um experimentalismo menos radical, Itamar trazia uma mistura de gêneros, como o rock, o reggae, o funk e o samba em suas músicas, carregadas muitas vezes de críticas por um lado e por outro de um significado velado, o que tornava as obras pouco comerciais, mas extremamente poéticas. Tal fato, contribuiu para que as canções fossem produzidas e lançadas por selos independentes e alternativos, como o selo “Lira Paulistana”, como forma de crítica e subversão à indústria fonográfica da época.
Tais críticas ao sistema social ficam claras nas letras, conforme nos apontam os autores: “Estão aí, na letra da canção, todos os elementos da sociedade da modernidade tardia: competitividade, individualismo, devoção à tecnologia, consumismo exacerbado, resignação e total submissão a um sistema que limita ou submete a criatividade, oprime e desmobiliza o cidadão” (CLEMENTE e VALENTE, 2014, p. 8 - Sobre a letra de uma das músicas da banda Premeditando o Breque, p. 8).