28/09/2026
Se existe uma ideia que deveria estar presente em todo planejamento de treino, é esta: não existe um exercício universalmente perfeito para todas as pessoas.
A individualidade biológica significa que cada pessoa possui características próprias — estrutura óssea, proporções corporais, mobilidade, flexibilidade, força, histórico de treinamento, limitações, lesões, controle motor e capacidade de recuperação.
E isso muda completamente a forma como devemos analisar um exercício.
Pense no agachamento: duas pessoas podem receber exatamente a mesma orientação, mas uma delas pode precisar de uma base mais aberta, outra de uma base mais fechada; uma pode tolerar mais inclinação do tronco, enquanto outra precisa de uma estratégia diferente para conseguir executar o movimento com conforto e eficiência.
Isso não significa necessariamente que uma esteja fazendo "certo" e a outra "errado".
A biomecânica precisa conversar com a anatomia daquele indivíduo.
Comprimento dos segmentos corporais, formato das articulações, mobilidade disponível e distribuição das massas alteram os braços de momento, as amplitudes e a forma como as forças são distribuídas durante o exercício.
Por isso, simplesmente copiar a execução de um atleta ou de alguém da internet pode ser um grande erro.
O papel do profissional é justamente observar, analisar e adaptar: escolher o exercício, ajustar posicionamento, amplitude, carga, velocidade e estratégia de execução de acordo com quem está realizando o movimento.
Treinar bem não é fazer todo mundo se movimentar exatamente igual.
É encontrar a melhor maneira de fazer aquela pessoa se movimentar.
Cada corpo tem uma história. Cada corpo tem uma estrutura. E cada corpo precisa de uma estratégia.
É aí que a biomecânica deixa de ser apenas teoria e começa a fazer diferença na prática.