06/03/2025
Calor, educação e desigualdade social: qual a relação?
Nos últimos anos, o mundo tem enfrentado mudanças climáticas severas: chuvas intensas, enchentes e ondas de calor. Basta lembrar das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Agora, no verão, enfrentamos temperaturas até 10°C acima da média. As causas são claras: desmatamento, queimadas e poluição, intensificando o efeito estufa.
O calor extremo afeta mais aqueles sem infraestrutura adequada. Ventiladores já não dão conta, sombras de árvores estão cada vez mais raras e ficar em casa nem sempre é uma opção. O deslocamento para trabalho e estudo continua, seja a pé, de bicicleta ou em transporte público. Mas e as escolas?
A realidade é preocupante: salas superlotadas com apenas dois ventiladores, cortinas improvisadas e bebedouros insuficientes. Dificuldade de concentração, inquietação e desempenho claramente prejudicado. Diante disso, a solução adotada por muitas prefeituras foi cancelar as aulas. O município de Capão do Leão não foi o único—Pelotas, Rio Grande, São José do Norte e Turuçu também enfrentaram o mesmo problema. Já as escolas estaduais, que começaram o ano letivo com atraso, agora operam em turnos reduzidos. Essa é a realidade da educação pública: falta de estrutura e planejamento para lidar com adversidades.
Mas essa desigualdade não afeta todos. Nas escolas particulares, o ensino segue normalmente. Enquanto nossos alunos perdem aulas e oportunidades, outros seguem aprendendo sem interrupções. Essa disparidade evidencia como o sistema público falha em garantir direitos básicos.
Ainda assim, seguimos motivados a ensinar. Queremos que nossos alunos entendam que, apesar das barreiras, o caminho é de todos. Que eles podem sonhar, lutar por seus direitos e, com esforço, chegar onde quiserem. O sistema pode falhar, mas eles não podem desistir.