14/07/2026
Há uma pergunta que está na cabeça de praticamente todo coordenador, diretor acadêmico e membro de NDE no Brasil neste momento:
Como implementar as DCNs?
Não as DCNs de 2014. As de 2025 — o novo marco regulatório que redefine o perfil do egresso médico e convoca as escolas a uma transformação curricular profunda, urgente e sem roteiro pré-definido.
Tive o prazer de coordenar, no CIIPES, o simpósio "Como implementar as DCNs — Diretrizes Curriculares Nacionais?", com a participação de dois nomes de referência nacional neste debate: a professora Eliana Amaral e o professor Silvio Peçanha.
Das discussões emergiu algo que faz sentido como sequência estratégica para qualquer escola médica que queira ir além da conformidade formal:
① Alinhar & Mapear — Antes de redesenhar qualquer coisa, é preciso saber onde a escola está. Que competências já são trabalhadas? Onde estão as lacunas? Qual é a distância real entre o currículo vigente e o perfil do egresso das DCNs de 2025?
② Engajar & Desconstruir — Nenhuma mudança curricular sobrevive sem as pessoas. Docentes, estudantes, gestores e parceiros da rede SUS precisam fazer parte do processo — não serem destinatários de uma decisão já tomada. E alguns pressupostos precisam ser questionados antes de avançar.
③ Discutir & Redesenhar — Com o diagnóstico feito e os atores engajados, é hora de construir coletivamente. Objetivos, metodologias, avaliações — tudo alinhado ao perfil de egresso definido pelas Diretrizes.
④ Implementar & Monitorar — A implementação sem monitoramento é uma aposta. Indicadores de processo, de aprendizagem e de desenvolvimento docente precisam estar definidos desde o início.
⑤ Realinhar & Agir — O currículo não é um documento estático. Os dados do monitoramento geram evidências que retroalimentam o ciclo — e a escola que aprende com seus próprios resultados é a que evolui.
A DCN 2025 não é um documento para ser lido. É um processo para ser vivido — iterativo, coletivo e comprometido com o médico de que o Brasil precisa.
Agradeço à Professora Eliana Amaral e ao Professor Silvio Peçanha pela profundidade, pela clareza e pela generosidade com que conduziram os debates.