03/10/2021
“A repetição é a mãe da aprendizagem”
Vigostsky
1. Autocuidados
Falar de auto cuidados para crianças com deficiência é muito complexo, cada um tem uma visão sobre o assunto.
A maioria dos terapeutas acredita ser essencial, mas a maioria não orienta os pais como fazer, e esta é a maior queixa da família.
A escola acredita ser difícil, que vai dar trabalho, que é obrigação dos pais e se esquiva, muitas vezes por falta de conhecimento e também de apoio.
Os pais, totalmente perdidos, vão adiando, adiando,adiando… e se esquecem que seus filhos vão crescer, e isso torna tudo mais difícil.
Autocuidado tem de ser tratado de forma natural, tem que ensinar a escovar os dentes? Ensina, tem de desfraldar? Faz isso, tem de ensinar a usar o banheiro?
Então ensine, como qualquer criança, na idade que tem de ser feito.
Tem que parar de enxergar a deficiência e ver a criança!
Vai dar trabalho? Sim, como qualquer outra.
A diferença é o tratamento que se dispensa, porque uma criança tida como “normal”, fica-se em cima até se conseguir o objetivo e a deficiente na primeira tentativa frustrada se desiste e muitas vezes ela é deixada de lado?
A persistência é a chave deste enigma, a partir do momento que ir ao banheiro, escovar os dentes, se trocar, tudo sozinho virar rotina, tudo se resolve.
Existem algumas formas de se ajudar a criança neste processo, uma delas é a comunicação alternativa, como figuras que demonstram através de imagens, a escovação dos dentes, trocar de roupa, ir ao banheiro, lavar as mãos, são apoios visuais que auxiliam pais e professores neste processo, é só colocar no banheiro, existe algumas até com passo a passo.
Outra forma é ajudar a criança a fazer.
É com apoio? Sim, de forma que ela entenda que é ela quem está fazendo.
Ex: Pegue a escova de dentes e auxilia ficando atrás da criança, ela segura a escova e você segura a mão dela, assim você está ajudando, parecendo que ela está realizando a escovação sozinha.
No banheiro a mesma coisa, coloque a sua mão sobre a dela e ajude a tirar a roupa, ela vai pensar que está fazendo sozinha, faça isso uma, duas semanas na terceira semana entre com ela no banheiro e peça que tire a roupa, ela irá fazer, lógico que em algum momento você ainda irá ajudar, mas vai se tornar cada vez
mais raro.
Temos que entender que é necessário este aprendizado e muitos outros, a criança precisa ter autonomia, precisamos ter em mente que ela irá crescer, aí como vai ser?
A aprendizagem mais eficiente se faz pela experiência pessoal e pelo meio.
“Tenho um primo de cinquenta e cinco anos, ele tem deficiência motora, intelectual e autismo, isso foi descoberto agora pois quando ele nasceu não se falava disso, enfim ele não sai de casa para nada, tem horários fixos de dormir, comer, tomar banho, toda uma rotina criada por ele, quando era adolescente fazia terapia, não quis mais ir, e minha tia parou de levá-lo, na época ela trabalhava e quem tinha que levá-lo era meu avó, era uma guerra, ele se recusava a ir, resumindo parou-se o tratamento, hoje é uma briga, a minha tia quer mudar o jeito dele, quer que ele pare com algumas manias, mas agora é tarde, ele é um adulto, ficou anos fazendo a mesma coisa, não vai mudar agora, foram anos reforçando um comportamento inadequado.
Se ao contrário ele tivesse feito terapias, ensinado a se cuidar sozinho, ter rotina correta, aprendido novas formas de convívio social, adaptação ele poderia hoje ter uma vida normal, trabalhar, passear, fazer suas próprias escolhas, mas hoje ele vive enclausurado dentro de casa, não tem atividade nenhuma, não possui vida social, nem perspectivas, quase ficou cego, com catarata, por que não quer ir ao médico. Se recusa a sair de casa. Isso é vida? E a família?
Por isso não pense no trabalho que terão agora e sim no que terão quando forem adultos.