26/08/2026
Uma paciente me contou algo que reconheço em muita gente. Alguém perguntou se ela estava feliz com os rumos que sua vida tinha tomado. Ela respondeu que sim, quase sem pensar. Só bem depois, dirigindo para casa, percebeu que não tinha, de fato, checado aquela pergunta com nada dentro dela. Tinha respondido o que soava certo dizer.
Isso acontece com uma frequência que a maioria de nós nunca para para contar. Perguntas sobre o próprio querer, o que fazer no fim de semana, que caminho seguir na carreira, se vale a pena continuar em um relacionamento, recebem resposta rápida, moldada pelo que parece razoável, antes de qualquer consulta interna real acontecer.
E se a resposta nem sempre vem de dentro, cabe perguntar: quem, exatamente, está respondendo?
No novo texto de Reflexões, eu percorro quatro camadas que costumamos confundir com identidade, o que a gente acha que quer, os valores que diríamos ter, os rótulos que carregamos desde criança, e a cobrança de ser sempre coerente. Nenhuma delas resolve a pergunta "quem sou eu". E talvez seja porque essa nunca foi, de fato, a pergunta certa.
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