17/02/2025
Em 1945, 80 anos atrás, o mundo começou a ter noção mais direta dos horrores praticados nos campos de concentração alemães espalhados pela Europa. O terror N4Z1ST4 assustou o mundo. Não se tratava de campos de trabalho forçado somente, o mundo se assustou com a brutalidade, a desnutrição forçada, a humilhação a que os concentrados eram submetidos...
O “mundo civilizado”, então, se mobilizou, na tentativa e esperança de não mais permitir que cenas como a da imagem, de uma russa desnutrida encontrada em Dachau, se repetissem. A recém-formada ONU se mobilizou e se prontificou para reparar uma das principais vítimas do Holocausto, os judeus, atendendo ao pleito do Movimento Sionista de reconhecimento de um Estado Judeu na Palestina. O pedido logo foi atendido: em 1948 diversos países do mundo reconheceram a independência e soberania do Estado de Israel.
No entanto, tão antigo quanto o próprio nascimento do Estado de Israel foram as agressões desumanas infligidas aos povos nativos de onde este estado foi criado. Massacres, roubo de terra, deslocamentos forçados, tudo isso marca o que conhecemos hoje como “Nakba”, a catástrofe que empurrou e expulsou milhares de palestinos para fora de seu lar ancestral.
Quase 80 anos após a fundação do Estado de Israel, no entanto, continuamos a ver cenas tão catastróficas quanto aquelas que o mundo assistiu, em silêncio, no ano de fundação do Estado Sionista. Essas cenas se repetiram consistentemente ao longo das décadas, com mais roubos de terra, mais humilhações, etc.
O modus operandi israelense se assemelha em muitos aspectos ao N4Z1ST4. Uma das cenas mais comuns vistas por nós nos últimos anos foram a de palestinos encarcerados que voltaram para casa doentes, desnutridos e fracos, uma repetição sinistra das cenas que o mundo visualizou, com horror, durante a libertação dos campos de concentração N4Z1ST4S.
A foto à direita é do professor palestino Ibrahim al-Shawish. Ele foi libertado recentemente por Israel e disse, em seu depoimento, que, por 45 dias, foi vendado, algemado e forçado a se ajoelhar antes de ser transferido para a prisão do Negev, onde sofreu choques elétricos e ataques de cães. O rosto e o corpo de Al-Shawish, gravemente desnutrido, apresentavam sinais de tortura.
- NATH, Sasnuti. "No Words": Israel Releases Before-After Pics Of 'Malnourished' Hostages Freed By Hamas. NDTV World, 9 de fevereiro de 2025.
- THE man bringing colour to 'shocking' historical pictures. BBC, 14 de novembro de 2020.