13/06/2026
"Minha cabeça ficou quieta."
Essa talvez seja uma das frases mais marcantes relatadas por pessoas que utilizam agonistas de GLP-1.
Na última terça-feira (10/06), tive a honra de abrir a programação do Lounge VIP dos Nutricionistas da Naturaltech 2026, a convite da Academia de Nutrição , com a palestra:
“GLP-1 e comportamento alimentar: riscos silenciosos e o papel do nutricionista”.
Parti justamente dessa experiência que muitos pacientes descrevem: menos conflito, menos urgência, menos negociação constante com a comida.
Mas a palestra não foi só sobre medicamentos.
Foi sobre comportamento.
Conversamos sobre saliência alimentar, circuitos de recompensa, aprendizagem por associação, experiência subjetiva de prazer com comida, autoeficácia e sobre uma questão que considero fundamental para a prática clínica:
O que fazemos com a janela de oportunidade que o medicamento pode criar?
Se a comida ocupa menos “espaço na mente”, talvez surja também mais espaço para desenvolver habilidades, construir novos hábitos, fortalecer a autonomia e ampliar o repertório comportamental necessário para sustentar mudanças ao longo do tempo.
Essa discussão tem me acompanhado ao longo dos últimos anos em diferentes espaços de formação e diálogo com profissionais da saúde. Fico feliz em perceber como o tema tem mobilizado reflexões importantes entre nutricionistas, especialmente em um momento em que o debate público sobre os GLP-1 muitas vezes se concentra em parte de seus efeitos.
A conversa está apenas começando. Em breve teremos novas oportunidades para aprofundar esse debate.
Agradeço à Academia de Nutrição pelo convite, à Naturaltech pelo espaço e a todos os colegas que estiveram presentes nessa troca, pelos registros encontros
Porque, no fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja apenas o que o medicamento faz.
Mas o que as pessoas conseguem construir quando o comportamento alimentar deixa de ser apenas uma batalha diária e passa a ser um espaço de aprendizagem, autonomia e cuidado.