15/09/2026
Esta é a jornalista e escritora Maria Amélia de Almeida Teles (1944-2026), que nos deixou hoje. Amelinha Teles, ex-militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), era professora de educação artística quando foi presa em 28 de dezembro de 1972, em São Paulo (SP) pela ditadura militar no Brasil. Segue seu relato de quando foi torturada pessoalmente pelo major Carlos Alberto Brilhante Ustra:
"A primeira forma de torturar foi me arrancar a roupa. Lembro-me que ainda tentava impedir que tirassem a minha calcinha, que acabou sendo rasgada. Começaram com choque elétrico e dando socos na minha cara. Com tanto choque e soco, teve uma hora que eu apaguei. Quando recobrei a consciência, estava deitada, nua, numa cama de lona com um cara em cima de mim, esfregando o meu seio. Era o Mangabeira (codinome do escrivão de polícia de nome Gaeta), um torturador de lá. A impressão que eu tinha é de que estava sendo estuprada".
"Aí começaram novas torturas. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no â**s, na va**na, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. A gente sentia muita sede e, quando eles davam água, estava com sal. Eles punham sal para você sentir mais sede ainda. Depois fui para o pau de arara. Eles jogavam coca-cola no nariz. Você f**ava nua como frango no açougue, e eles espetando seu pé, suas nádegas, falando que era o soro da verdade".
"Mas com certeza a pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques. Quando me viu, a Janaína perguntou: 'Mãe, por que você está azul e o pai verde?".
A história serve para mostrar que o passado jamais deve se repetir. Limitar essa questão entre esquerda e direita é legitimar uma agressão covarde. Sempre procuro levantar a bandeira de que na história não há mocinhos, mas nesse caso, Amelinha certamente foi vítima. Sua memória jamais será esquecida. Fotos antigas, mesmo as mais tristes, voltam à vida quando encontram cores.
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