08/03/2022
👩🏿 A violência institucional no meio acadêmico atravessa diversas camadas: desde classif**ar áreas do conhecimento como “masculinas” e questionar a capacidade intelectual de pesquisadoras, passando por interrupções nas suas falas durante uma aula, até a relativização de violências mais objetivas sofridas pelo grupo, como a física e a sexual. Por ser uma violência de caráter subjetivo, muitas vezes nem mesmo as mulheres a notam, mas ela existe e faz parte da vida cotidiana de pesquisadoras e estudantes.
👩🏽 No caso do Brasil, as mulheres representam cerca de 54,2% do total de indivíduos matriculados em cursos stricto sensu e cerca de 58% dos beneficiários da CAPES com bolsas. A despeito disso, a violência institucional contra as mulheres, sobretudo aquelas que não exibem características do grupo dominante, é sistemática.
👩🏼 Essa problemática, portanto, é ampliada quando pensamos em alguns recortes, como de gênero, raça, etnia e deficiência. Nessa ótica, mulheres trans, mulheres pretas, mulheres indígenas, mulheres do campo e mulheres com deficiência são muito mais invisibilizadas, silenciadas e violentadas institucionalmente do que as mulheres com características do grupo dominante (brancas, heterossexuais, sem deficiências, dos centros urbanos etc.).
👩🏻🦰 Precisamos discutir e avaliar em que medida essa violência prejudicou e prejudica o avanço científico, pois certamente ela tem forte impacto na produção de conhecimento no Brasil e no mundo. O cenário delineado é espinhoso e sensível, sobretudo quando consideramos que a violência cotidiana compromete as condições para o desenvolvimento das agendas de pesquisa, motiva o não acolhimento de sujeitos-parte de grupos marginalizados e desestimula o seu processo criativo.
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