SAU 2014 - PROJETE-SE para Século XXI. Discussões sobre a Cidade Contemporânea Ficamos nos questionando, se é isso apenas que nos aguarda?
Durante nossos 5 anos de formação, é quase inevitável que em alguma altura do curso não nos perguntemos: O que vou fazer quando me formar? É cada vez mais crescente a massa de arquitetos e urbanistas que se formam a sem conhecer as inúmeras possibilidades que podemos experimentar e seguir. Quando iniciamos a faculdade pensávamos que a arquitetura era um ramo muito mais objetivo, e nossas aspiraçõe
s para o futuro eram mais objetivas; em meados de iniciar a fase final, ainda sabemos pouco do potencial que nosso curso pode nos oferecer no mercado de trabalho, mas já sabemos ao menos que a arquitetura está se multiplicando, abrindo novos espaços para aqueles que não querem o “de sempre”, aqueles que ficariam muito mais felizes de aparecer em uma publicação por um projeto que gostou realmente de fazer, que representou um desafio. Fato é que a produção arquitetônica hoje é ditada por publicações, alimentadas pelos próprios arquitetos, que sonham um dia se ver no tal seleto “grupo de elite” da arquitetura brasileira; e que vez ou outra é citado mundo a fora. Vemos um mercado que nos traz a sensação de que esses arquitetos são os que valem apena ser ou conhecer, e que todos os outros nunca chegarão a tal patamar de realização pessoal. Se todo o trabalho duro para chegar até aqui se resumirá num pequeno golpe de sorte que fará com que entremos, ou não, para um seleto e disputado grupo, e caso fracassemos, teremos que nos contentar em trabalhar em algo que não nos realiza como profissionais de uma formação tão ampla e complexa. Para os arquitetos, felizmente, o mercado de trabalho expandiu-se muito nos últimos 30 anos. Por um lado ocorreu um enorme desenvolvimento social e econômico do Brasil. E por outro, graças à atuação dos arquitetos nas entidades de classe que vêm lutando para conseguir abrir o mercado e para trabalhar em novas áreas. Neste momento histórico também ocorre o alargamento do campo profissional pela ênfase na presença do arquiteto como um profissional mais integrado ao rol das demais profissões da sociedade, sem necessariamente o glamour artístico que legitimava sua anterior excepcionalidade, situando-o definitivamente numa complexa prática profissional que envolve interesses econômicos, deveres culturais e responsabilidades sociais, por vezes também enredados pelas demandas imobiliárias intrínsecas ao crescimento urbano. Trata-se de um profissional que deixa de atuar exclusivamente no escritório e passa a integrar os quadros das empresas, das construtoras e das prefeituras, abraçando por completo o que definimos como espaço. A implicação desta nova dinâmica se traduz nas possibilidades de experimentar outras linguagens, trabalhar em novas dinâmicas da cidade, da construção civil e da indústria. No entanto, independente da área que venha a nos realizar e nos sustentar, precisamos entender que, a importância do momento nos exige atitudes sérias que contribuam não somente a situações conjunturais do mercado, mas principalmente no atendimento pleno da sociedade frente ao crescimento das cidades e da crônica falta de espaços dignos e adequados à moradia, saúde, educação, cultura e lazer, sempre de maneira universal e sustentável.
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