07/04/2021
O marco do tratado de Tordesilhas talvez seja um marco pra mim também.
Estava eu pronto a escrever um texto para uma postagem para a minha nova page no instagram, sobre o marco do tratado de Tordesilhas. Segundo o que eu tinha pesquisado até então, de forma um tanto superficial, admito, haveriam três marcos do tratado de Tordesilhas no Brasil, um em Laguna, Santa Catarina, outro em Cananeia que f**a em São Paulo e o outro seria obviamente em Belém.
Só explicando, o tratado de Tordesilhas foi um tratado feito em 1494 entre as cortes portuguesa e espanhola, as pioneiras na exploração marítima. Perceba que este tratado foi feito somente dois anos após Colombo, que foi financiado pela coroa espanhola, ter descoberto o novo continente que mais tarde viria a ser conhecido como América. É claro então que as duas, agora, super potências marítimas, a Espanha, descobridora de um novo continente e Portugal, primeira nação a dar a volta na África ainda em 1488, na viagem de Bartolomeu Dias, queriam garantir que os territórios de seus interesses fossem explorado somente por seus navegadores. Por isso, foi acordado então uma linha imaginária, uma divisória de 370 léguas a oeste a partir de Cabo Verde que dividiria na verdade o mundo ao meio, e não somente o pouquinho de terra que a gente verif**a em qualquer mapa sobre o tratado, para os portugueses e a América toda para os Espanhóis. A intenção dos portugueses era o que havia na mesma proporção demarcada do outro lado do, agora redondo novamente, mundo.
Essa divisão mostra muito a forma que Portugal via a descoberta do novo continente e como viria a pensar futuramente sobre sua colônia. A "descoberta" de terras portuguesas, “por um acaso” logo na porção portuguesa do tratado, seis anos depois. Foi tratada com indolência por uns 30 anos pelos portugueses, que começaram seu processo de colonização mesmo, somente em meados de 1530, através dos territórios cedidos pela corte portuguesa, que foram chamados de Capitanias. Pois bem, é muito depois disso que Belém entra nessa história.
Pois bem, é muito depois disso que Belém entra nessa história. Porque somente em 1616 que há então, por fim, uma expedição liderada por Castelo Branco, a mando do governador geral Gaspar de Souza, para que a capitania mais ao oeste dos territórios ao norte da colônia portuguesa fossem protegidos e habitados. E claro, isso é uma baita história a ser contada, em que o marco do tratado de Tordesilhas seria abordado certeiramente.
Um excelente roteiro histórico contando como os portugueses foram na verdade muito espertos em, provavelmente, não por um acaso, ter escolhido justamente o ponto onde passaria a linha imaginária do tratado, ou seja, o ponto ao extremo oeste do então território português, para erguer a sua fortif**ação. Ainda mais que, é provável que os portugueses soubessem exatamente onde haveria essa divisão, já que, segundo Ribeiro do Amaral em seu livro "A fundação de Belém: A Jornada de Francisco Caldeira Castelo Branco", os portugueses levavam consigo o itinerário do Capitão francês La Ravardiere, assim como o seu piloto Charles duVaux. Que, ao contrário da indolência de tratamento com relação aos territórios brasileiros, os franceses eram extremamente metódicos, tendo todas as anotações, coordenadas, mapas etc... anotadas com muito afinco. Então os portugueses espertamente teriam um forte bem a beira do território espanhol, que apesar de à época as cortes de Espanha e Portugal estarem unidas, as administrações aparentemente eram diferentes para cada reino. Então os portugueses teriam um certo acesso às terras espanholas, no entanto fazendo isso na encolha, na calada. E nada melhor para isso do que um forte bem na divisa dos territórios onde os portugueses entravam e saíam do Rio Amazonas, já território espanhol, meio que à vontade.
Contar essa história seria lindo, mas com um pouco mais de pesquisa me deparei com um erro primário meu, há contestação sobre o marco do tratado de Tordesilhas de Belém, que f**a na praça D. Pedro II, em frente ao Palácio Lauro Sodré, ser o marco do tratado de Tordesilhas.
A professora Maria Goretti da Costa Tavares, professora de Geografia da UFPA, Pós-Doutora em Geografia e Turismo, afirmou que aquilo se trataria na verdade do marco do tratado de Madri. Que, segundo minhas pesquisas, foi um tratado feito em 1750 entre as cortes portuguesa e espanhola, já separadas, que definia as fronteiras entre os territórios das colônias americanas dos dois impérios. E foi nesse momento que eu percebi que eu posso estar completamente errado. Meus deuses, eu sou somente um crio tentando nadar em mar de peixes muito grandes, como pude tratar as informações com tanta displicência em nome de criar conteúdo. Preciso ainda estudar MUITO mais, e também me lembrar de que eu sou um estudante ainda muito verde que precisa ter muito mais paciência e calma para criar um conteúdo que entretenha, conte muito mais da nossa história, mas que tenha informações muito mais apuradas e precisas para não repassar é desinformação.
Onde eu fui amarrar meu barco? Criar esse tipo de conteúdo é uma missão hercúlea. Confesso que pensei em desistir na hora, mas estou aqui com toda a humildade de alguém que está agora também aprendendo sobre a nossa própria história para condensar estas informações e repassá-las, fazendo com que nós mesmos do norte possamos conhecer melhor de onde viemos e ver, assim como eu, o quanto esse passado é verdadeiramente emocionante e interessante. Mas seguirei em minha missão, adiantando logo de que posso cometer muitos erros nesse percalço, que serão sempre corrigidos assim que notados e que seja possível. Então quem quiser está convidado a me seguir nesta jornada de erros e acertos atrás da nossa, da Tua História.