02/10/2018
Carina Vitral sofre censura do Facebook após convocar mulheres para manifestações do dia 29/9
A página de Carina Vitral, candidata a deputada estadual em São Paulo pelo PCdoB, sofreu censura do Facebook depois de ter publicado conteúdo sobre as manifestações de mulheres contra Bolsonaro ocorridas no dia 29 de setembro em diversas cidades, no Brasil e no exterior.
No sábado das manifestações, o Facebook cancelou a conta de anúncios da candidatura de Carina, criada especificamente para impulsionamento de conteúdos durante o período de campanha, conforme previsto na legislação eleitoral. No gerenciador da referida conta, a informação oferecida era de que a conta de anúncios não estava mais disponível em virtude de “violações de política” e, ainda, que os anúncios que a página vinha veiculando “foram desativados”. A rede social, entretanto, não informa qual a violação, apesar das tentativas da assessoria jurídica de obter informação clara a respeito da decisão.
Nesta terça (2.10), a campanha protocolou no Tribunal Regional Eleitoral uma “ação de obrigação de fazer”, com pedido de tutela antecipada (liminar), ao Facebook, para a retomada da conta de anúncios.
A candidata veicula constantemente conteúdos em texto, vídeo e outros tipos de imagem contrapondo-se ao conservadorismo de candidaturas como a de Bolsonaro e de grupos como o MBL, que têm visões político-ideológicas antagônicas às de Carina, de seu partido e da União da Juventude Socialista (UJS), que ela preside em âmbito nacional. Essas veiculações, no entanto, sempre ocorrem conforme as normas da Justiça Eleitoral para divulgação de ações de campanha.
“É preocupante a coincidência de a conta de anúncio ter sido derrubada justamente no dia em que milhares de mulheres saíram às ruas em várias cidades do Brasil e do mundo para lutar contra o fascismo e por democracia, e no momento exato em que a minha campanha tentava impulsionar um vídeo no qual eu denunciava os ataques cibernéticos que, poucos dias antes, haviam derrubado a página do movimento Mulheres Unidas Contra Bolsonaro e conclamava meus seguidores a participarem dos protestos”, declara Carina.
Ela se refere à página no Facebook que, hoje, reúne quase quatro milhões de participantes que rechaçam a candidatura de Bolsonaro à Presidência da República e que organizou o movimento do dia 29. Carina, feminista com trajetória de combate ao machismo, à misoginia e ao preconceito contra as mulheres, sofre ataques sistemáticos nas redes sociais, eivados de ódio, ofensas e ameaças. Parte dessa situação foi relatada em reportagem do jornal Folha de S. Paulo do dia 3 de setembro, sob o título “Em rotina de assédio e preconceito, candidatas recebem ameaças e nudes”. Muitos desses ataques são, declaradamente, de apoiadores de Bolsonaro e de simpatizantes do MBL. “Desconfio também que muitas mensagens vêm de robôs”, aponta Carina. Ela tem 105 mil seguidores no Facebook e suas postagens registraram quase 11 milhões de alcances no período de 28 de agosto a 28 de setembro.
Carina entende que a decisão da rede social é “arbitrária”, significa “censura às minhas ideias” e pode resultar em prejuízo à campanha, já que a maioria de seus apoiadores se informa sobre sua atuação por meio das publicações no Facebook, em parte impulsionadas pelos anúncios permitidos por lei. “Sem a possibilidade de patrocinar determinadas postagens, boa parte do meu público ficará sem acesso às atividades da última semana da campanha, justamente os dias em que os eleitores mais recorrem a informações para definir seu voto. Eu me sinto muito prejudicada, porque isso interfere diretamente na justa concorrência entre candidatos que disputam comigo uma vaga à Assembleia Legislativa”.
Ao mesmo tempo, ela afirma que esse fato “fortalece mais a convicção de que a violência não é o caminho para superar a crise que o país enfrenta”, e que a união das mulheres demonstrada no amplo movimento suprapartidário que foi às ruas no dia 29 indica que “há outras formas de fazer política”. E “é por isso que o Brasil precisa de mais mulheres na política e em todos os espaços de poder, mulheres que utilizem a firmeza das ideias, não a força da agressão, para defender suas propostas e seus pontos de vista”.