15/06/2016
"Patrimônio pra mim é a raiz do povo. Todo sentimento de cultura que está envolvido com povo. Pra mim, aqui em Sergipe, o que mais me atrai é o patrimônio material, já que a gente tem diversas riquezas , diversos espaços que deveriam ser tombados, deveriam se cuidado. E se o patrimônio fosse meu, com certeza eu estaria tentando revitalizar, cuidar, e tratando de uma forma mais efetiva porque o patrimônio é a raiz, a alma de um povo".
Airton Sena, Militante do Levante Popular da Juventude
15/06/2016
"Esse patrimônio material que é mais visível a todos, que as pessoas podem tocar, muitas vezes ele é objeto de ataques, de vandalismo. Eu acho que um pouco porque as cidades não trabalham essa questão de pertencimento. Quando a gente não compreende que aquele patrimônio é nosso patrimônio, acaba não tendo tanto cuidado quanto esse patrimônio merece ter. Então, desde calçadas com pedras portuguesa à monumentos históricos, estátuas que fazem homenagens às personalidades, todo esse patrimônio que acaba se transformando em patrimônio histórico, muitas vezes protegido, nem sempre a população entende o porque que é tão protegido, porque que é tao importante. Então eu acho que é necessário ainda muito trabalho de conscientização das pessoas. Se em relação ao patrimônio material ainda existe uma dificuldade em compreender a importância da preservação, imagina o imaterial. É muito difícil entrar na cabeça das pessoas principalmente aquelas que ainda lutam pelo pão de cada dia (...) como que elas vão pensar na imaterialidade, na importância por exemplo, da cultura, da tradição? É muito difícil que a população de uma cidade compreenda a importância de seu patrimônio imaterial. Se esse patrimônio fosse meu, do ponto de vista imaterial ele seria multiplicado,(...) iria lutar muito pela preservação deste, como do[patrimônio] material.
14/06/2016
Divina Pastora tem na renda irlandesa um de suas maiores jóias. É uma técnica de renda nascida em ambiente aristocrático, mas que na cidade sergipana ganhou força como alternativa de trabalho para as mulheres.
"A trama irlandesa é feita com uma agulha, que tem como suporte o lacê, cordão brilhoso que, preso a um debuxo ou risco de desenho sinuoso, deixa espaços vazios que são preenchidos pelos pontos. Estes pontos são bordados compondo a trama da renda com motivos tradicionais e ícones da cultura brasileira, criados e recriados pelas rendeiras"
No site do IPHAN: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/68
14/06/2016
"Tenho a quadrilha junina como patrimônio porque faço quadrilha junina desde a infância,(...) pra mim é a minha vida. Pra gente que dança quadrilha é um patrimônio, por isso que a gente luta, para que não acabe. Para o governo é só fachada, só valoriza nessa época (de São João) mas a gente ensaia a quadrilha desde outubro pra chegar no São João e fazer um trabalho para um público que não tem muito acesso a quadrilha junina por morar muito longe, então é a oportunidade que a gente tem pra vir ao mercado fazer uma apresentação. Se fosse meu, não deixaria acabar nunca. Hoje o governo, a prefeitura se preocupam com festa de massa, não estão preocupados com a cultura junina, cultura local. (...) O mundo junino se sente abandonado, O mundo das quadrilhas se sente abandonado.
Cleberson Caetano, Assessor de comunicação e Marcador da Quadrilha Junina Unidos de Asa Branca.
14/06/2016
"Patrimônio é muita coisa. Significa a expressão cultural do ser humano, significa as raízes que ele deixa fincada nos espaços de convivência e socialização. Dignifica tudo que a gente acredita q deve ser colocado pra frente pelo ser humano e deve ser levado em consideração pras próximas gerações.(...) envolve uma série de conjuntos, não só arquitetônico, como políticos e culturais (...)Por exemplo foi sancionado um projeto de lei que transforma o Rio Japaratuba, aqui no estado de Sergipe, como patrimônio dos sergipanos. Foi preciso a gente se utilizar de um projeto de lei, transformar esse rio em patrimônio pra que a sociedade possa ver esse rio, preservar esse rio e o estado possa fazer a mesma coisa. Daí a importância da gente estar preservando e construindo mecanismos pra que o patrimônio serja lembrado e disseminado. Se esse patrimônio fosse meu, mostraria de uma forma pra que as pessoas pudessem ver e contemplar. "
Yanaiá Rollemberg, Assessora Parlamentar.
14/06/2016
"Sou do Candomblé, quando vocês me falaram em patrimônio o candomblé é um patrimônio cultural e imaterial do povo brasileiro como a capoeira e a umbanda e hoje, a gente tem visto muito esses patrimônios, essas concessões histórico culturais do brasil serem vitimas. O mais novo cavalo de batalha do racismo, da intolerância de outros grupos que são grupos cristãos de uma parte da sociedade brasileira, tem se recaído sobre as religiões de bases africanas(...). O patrimônio seja ele material, imaterial ele é uma construção histórica do povo, mas ao mesmo tempo, uma conquista desse povo que ao longo dos séculos vem realizando, efetivando essa construção para si, para se manter quanto povo, quanto grupo étnico.(...) [Se esse patrimônio fosse seu]O patrimônio é de todos nós, o que nos resta fazer para preservar e para aumentar a possibilidade de acesso de muitos que não são por exemplo do candomblé, mas que conheçam o candomblé e possam quebrar essa fronteira, é divulgar mais e estar abrindo essa cultura patrimonial para outros grupos."
Florival de Souza, Sociólogo
12/06/2016
"Patrimônio pra mim é uma estrutura física, onde todas as pessoas tenham acesso, por exemplo uma escola publica, repartições. O mercado mesmo, é um patrimônio, a loja que trabalhamos. As pessoas sabem que isso aqui [mercado] é um patrimônio, agora a consciência de saber preservar é que muitos, eu acredito ,que não [sabem]. Tem como se fosse algo apenas pra ele usufruir e não para a preservação, pra que haja sempre a oportunidade de outros, seus filhos, netos, que estão por vir possam contemplar e até a questão de manter mesmo, porque se você não respeitar, não cuidar, não poderá usufruir por tanto tempo do jeito que ele foi feito pra ser usufruído. Se ele fosse meu, existiria uma fiscalização em torno de tudo isso, pra que as pessoas respeitassem melhor. porque o patrimônio é de todos e não exclusivamente de uma pessoa então, se você destrói, você destrói a minha oportunidade de usufruir de forma perfeita, como foi feito pra ser. Respeitar o meu direito."
Comerciante do Mercado
12/06/2016
"Até pouco tempo atrás, tinha uma ideia sobre patrimônio, agora eu sei que eu não sei quase nada. (...) Eu ainda continuo achando que são coisas que acho que a gente têm que cuidar. Patrimônio vem de pai, como se fosse uma coisa de herança mesmo e acho que pode ser um patrimônio tanto um casarão antigo como deveria ser patrimônio também as senzalas, mas as senzalas normalmente não são consideradas patrimônio e Aracaju eu acho que é uma cidade q não cuida bem dos seus patrimônios, nem material nem imaterial. Mas isso ainda é um assunto que eu preciso estudar mais. Eu me interessei muito depois dessa ocupação que teve lá no IPHAN. Participei várias vezes, estive lá com o pessoal, participei de mesas e debates. Realmente uma coisa que me encantou muito saber mais sobre isso. [Se esse patrimônio fosse seu?] Se essa rua fosse minha, é? Eu acho que todo patrimônio tem que ser cuidado, tem que ser preservado mas também tem que ser usado pelas pessoas também. Não necessariíssimo o patrimônio tem que tá la inatingível, acho q as pessoas tem que conhecer e tentar se conhecer também , porque ele faz parte, de alguma maneira, de uma história seja recente ou antiga. Acho tem que cuidar mas também, tem que dar acesso as pessoas".
Alex Sant'Anna, Músico.
12/06/2016
"Cheguei essa semana [à Aracaju] e estou achando muito interessante. A qualidade de vida é boa e hoje eu vim conhecer um pouquinho dessa parte mais histórica da cidade. Patrimônio pra mim são as coisas que nossos pais, nosso avós construíram e que a gente preserva, nossa cultura, nossa historia. O mercado aqui me surpreendeu muito, a gente consegue sentir um pouquinho do que é o povo de Sergipe; saindo daquela parte da orla, do turismo, aqui a gente sente mais a identidade do povo que tá nos objetos, na cultura, no que está exposto aqui. As ervas... [Isso] faz parte das histórias, essa história do avô, passar pro filho, pro neto. Se o patrimônio fosse meu, eu tentaria preservá-lo o máximo possível ao original, senão perde a identidade."
Marise, Turista de Santa Catarina
12/06/2016
Quando houve a mudança da capital de Sergipe para Aracaju, em 1855, o Correio Sergipense anunciou: “Sem dúvida, no Aracaju está tudo para fazer, mas é justamente o que ele tem de melhor”. A Ponte do Imperador, na beira do rio Sergipe, foi construída 4 anos depois para receber o Imperador Dom Pedro II e sua comitiva. Já foi de madeira, de ferro e vidro (só em 1923 ganha a forma atual); já recebeu embarcações e hidroaviões. Hoje é um ponto turístico muito querido, um dos maiores patrimônios históricos do estado — uma ponte para o passado. Está há muitos anos na memória dos que aqui vivem como um lugar de encontro. Passa por reforma junto à praça Fausto Cardoso.
12/06/2016
"Eu acho que patrimônio acima de tudo é memória. Memória dos nossos atos, memoria do que aconteceu conosco, com nossas famílias. Eu acho que a gente tem que estar sempre tentando resgatar a nossa memoria pra estar sempre se reinventando, tentar fazer parte de nós mesmos pra que a gente também se coloque no ambiente que estamos convivendo. Pra que a gente possa se relacionar com as pessoas que então ao nosso lado. Então, o resgate da memoria é muito importante pra que a gente possa estar se reinventando, criando o nosso patrimônio. Patrimônio pelo qual nós seremos conhecidos e reconhecidos pela nossa comunidade, onde a gente atua. Se esse patrimônio fosse meu, eu pegaria esse patrimônio e acho que passaria para o meu filho, eu queria que ele fosse parecido comigo, pode ser egoísta, mas eu faria isso."
Lucas Mendonça Rios, Advogado.
11/06/2016
"Eu acho que patrimônio no país é a cultura dele, é a comida, é a dança é o povo. Nosso povo tão diversificado que é o povo brasileiro. Então, ele mesmo faz parte do nosso patrimônio, tão pouco valorizado(...) com esse governo que está aí, temeroso, o que ele fez não só com a cultura,mas com varias outras coisas(...) isso nos deixa muito preocupados com o que possa acontecer com nossos patrimônios públicos. Sou nordestina, a minha cultura é totalmente nordestina, então, mesmo os que são contra os nordestinos, a gente tem mais é que bater no peito "Oxente neguinho, eu sou daqui". Acho que ele[patrimônio] já é meu, eu tenho mais é que lutar e preservar. Por isso que eu venho às ruas, pra lutar por esse patrimônio e por nossos direitos."
Fabíola, Funcionária Pública