16/01/2026
(Presença)
Invariavelmente, penso em ti.
E meu desejo de encontrar a solução
soa feito clamor desesperado
de quem apreciou o amor passar
Um ato, um único e longo ato,
Trouxera e levara, dera e tirara,
Aquilo que me custou uma vida
- nem mais nem menos - para alcançar.
Defino-te pelas faltas
Sorrisos, palavras, olhares e toques
que a mim não pertencem mais
Amo-te, verdadeiramente,
por tudo que obtenho de ti:
Ausência.
*
Escrevi esse poema anos depois do falecimento de minha avó Neuza. Hoje, pelo menos 10 anos mais velha do que no momento da escrita, um tanto a mais de 10 anos de ter perdido minha avó e com uma visão já carregada de algum tempo de terapia, olho com curiosidade para a forma que o luto nos pega e nunca há receita. Existem saudades que são silenciosas e solitárias, cada um vive os sentimentos a seu modo e acredito, desde muito cedo, que esse poema é sobre isso, esse amor que se torna luto e acabamos por carregar no peito como saudade. A minha, silenciosa e viva.
Disso, vamos às fotos de um dos dias mais importantes da minha vida: meu casamento. Fugindo de algumas tradições, costumes ou algo do tipo, optei por usar no dedo anelar da mão direita o solitário de pérola que foi de minha avó, meu avô me deu pouco depois dela falecer. Essa já era uma certeza muito mais antiga do que a convicção e de quem seria meu marido.
Apenas hoje surgiu em mim a percepção de que uso o anel que foi dela apenas em dias importantes, seja pela felicidade, pela comemoração, pelo medo, pela insegurança, pela saudade…