20/08/2026
É comum vermos em nossas cidades grandes avenidas ou praças homenageando a figura de Getúlio Vargas. A cidade de Machado não tem um logradouro sequer em sua homenagem. A homenagem máxima foi uma ponte de arcos de concreto com o nome de Valadares. Interventor Benedito Valadares em Minas.
A ponte cruza o rio Machado e marcava na década de 50 o perímetro urbano. O bairro na época era pouco povoado e marcava a entrada da cidade para quem chegava de Poço Fundo e Carvalhópolis. Neste pequeno bairro tinha uma pequena venda de propriedade de Zé Pedro. Apesar de pequena, a venda ocupava um lugar estratégico e por isso era bem frequentada.
Zé Pedro era gordo, muito peludo e gostava de uns goles. Às vezes dedilhava o violão animando a freguesia. Era ano de eleição e os fregueses já meio altos, incentivaram o nosso personagem a se candidatar a vereador. Ele topou e andou até distribuindo na conta da campanha umas doses de cachaça com umas lascas graúdas de mortadela.
Venda cheia, freguesia animada e a patroa do Zé Pedro esquentando a barriga no fogão no preparo de uns petiscos.
No dia da eleição, 3 de outubro, uma sexta feira, Zé Pedro levantou cedo, vestiu a melhor roupa, um terno de brim caqui, e sua mulher colocou um vestido de chita. Chegaram no belo prédio do Grupo Escolar D. Pedro II logo que a sessão eleitoral foi aberta. Votaram. Zé Pedro permaneceu rondando a Praça Antônio Carlos, conversando com muitos conhecidos, fazendo uma boca de urna. Sua esposa voltou para o bairro da ponte cuidando dos afazeres domésticos.
Às 5h da tarde a eleição foi encerrada e as urnas foram levadas para o fórum para a devida apuração. Às 10h da noite acabou a apuração eleitoral. Zé Pedro desce quase correndo para casa, irrompe sala à dentro, pega um rabo de tatu e tira a mulher da cama com um punhado de lambadas nas costas da coitada. Ela gritava com ele tentando pará-lo. Ele continuava chicoteando-a com o rabo de tatu, acusando-a de não ter votado nele. E ela, jurando que tinha votado nele sim, e ele, furioso afirmando que só teve UM VOTO. Ela continuou jurando que votou no marido e esbravejando contra a freguesia que bebeu e comeu às custas dele durante algumas semanas. Zé Pedro não abriu a venda da ponte nem no sábado e nem no domingo. Quando abriu a venda na segunda, poucos fregueses apareceram e ninguém, mas ninguém, ousava puxar assunto sobre eleição. O rabo de tatu repousava sobre o balcão.