22/07/2026
Cavalos e Bois eram o Motor entre 1942 a 1955
Sabes aquela cena dos filmes de ação, com muitas pessoas a cavalo e nenhum carro? Esse cenário era bem real entre 1942 e 1955!
Naquela época, enquanto Henry Ford ainda não espalhava o seu Model T pelo mundo deles da forma que conhecemos hoje, o verdadeiro motor das estradas de terra batida dependia inteiramente da força, da utilidade e da eficiência mecânica dos cavalos e dos bois.
Para guiar estes motores vivos, era preciso ir à Administração Municipal (a autarquia, que em Portugal equivale à Câmara de Redondo) tirar a carta de condução, chamada Matrícula de Cocheiro.
Não existiam escolas privadas; o processo de aprovação ou reprovação dependia de um exame rigoroso feito diretamente pela autarquia. O candidato enfrentava uma prova prática de carruagem nas vias públicas e um teste oral de sinalização. Quem falhasse no controlo dos animais ou errasse as regras enfrentava a reprovação imediata do examinador.
Os grandes integrantes desse trânsito dividiam-se rigorosamente em duas categorias, conforme a utilidade e eficiência do animal: os Carreiros e os Cocheiros. Os carreiros usavam os bois como motor de carga. A eficiência do boi estava na força bruta e na resistência para puxar pesados carros de mercadorias, com o carreiro a caminhar a pé no chão ao lado deles. Já os cocheiros dominavam os cavalos ou mulas, que serviam como motor de velocidade. A utilidade do cavalo era garantir um transporte de passageiros muito mais rápido, com o cocheiro confortavelmente sentado na frente da carruagem.
Ter a aprovação no exame e segurar esta carta de condução era a única forma legal de garantir a eficiência do trabalho de padeiros, leiteiros e almocreves (comerciantes que transportavam mercadorias em animais). O grande choque histórico é que, no meio de 682 cartas emitidas, apenas 20 mulheres conseguiram aprovação nesta licença!
A grande pioneira foi Adosinda dos Anjos Cordeiro Rosado, uma professora primária de 57 anos que garantiu a carta número 7 em 1943. Para ela, guiar aquele motor de quatro patas não era luxo, mas a única alternativa eficiente para viajar pelas estradas de terra e ensinar as crianças a ler.