15/09/2020
PRATICAR | O 💓
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Nunca li em nenhuma escritura sagrada uma passagem que motiva o crente a treinar... e, até mesmo na escola académica, aprendi a ler, aprendi a calcular, aprendi a ser mais humano mas, nunca aprendi a ser judoca.
Treinar todos os dias é o hábito d'um judoca. Como um miliante deve roubar sempre para alimentar os seus vícios, como um crente deve dar sempre o dízimo e fazer orações para agradecer a Deus pela renda de toda sua obra é, também o judoca desprovido de dores, de lesões e, vá em busca de mais lesões novas pelo hábito que tem de treinar todos os dias para aprimorar as técnicas e enriquecer o conhecimento.
Quando descobri que praticar o judo é uma questão de paixão e não de oportunidade, morri pensando, por que o judo não se expanda também para os meninos (des)favorecido que vivem nas pontes das avenidas e para os (re)clusos que aprodecem desumanamente nas celas infernais desta nação consideradamente rica? Hum!...
Os meus dedos todos doridos. O meu pescoço todo avermelhado de feridas.
Os meus braços defeituosos inclusive, a minha costela dorida, faziam-me compreender que o corpo d'um judoca é igual a d'um militar.
Por isso, o judo não é p'ra todos. ERRADO!
Na "meninice" muitas perguntas não se calavam em minha memória: "como é possível, a minha mãe não pratica o judo, mas reclama todos os dias da costela.
Os meus amigos de infância que hoje moram nas caracaças de carros velhos abandonados nas esquinas da cidade, também reclamam todos os dias de dores nos dedos. Enfim, até o meu tio apicultor, todos os dias regressa à casa com o pescoço dorido e avermelhado de feridas!...
Afinal, podemos também ser defeituosos só de passar o dia a comer e beber!
Já mesmo na "adolescência" pensei em desistir do judo, porque, não queria mais partilhar o silêncio com o meu Sensei; sentia que ele estava ali para ser mais amigo meu do que um professor.
Já pensei em mudar de cidade, porque em canto em canto da nossa cidade me enjoava ver ocupado todas as obras e terrenos abandonados com academias e quadras desportiva.
Mesmo assim, desisti por um minuto porque perdi tempo em me perguntar coisas sem respostas. Quando despertei-me, pensei mais tarde em voltar a pisar os pés de volta ao dojo; era eu nervoso, porque sabia que as dores iam de voltar novamente.
Já hoje maduro na consciência, me atrevi escrever este pequeno ensaio, porque, o judo ensinou-me também a dar várias voltas ao mundo do conhecimento e, motivou-me também a ler várias teorias de homens sábios e, abriu-me a capacidade de compreender muita coisa, que explicando agora, a coisa perde o seu valor literal; mais val "praticar" o "judo" também e dar uma "volta" ao mundo e construir o seu próprio "testemunho"; até mesmo o meu pai que de vez em quando decidia aplicar as leis militar em casa, nunca me falou que um dia teria que treinar judo e, a minha namorada que não gosta de homem rijo e grosso, pôs em causa a nossa relação através do judo e, eu todo despreocupado no que não me convém, assustei, estou treinando sem que eles queiram! Afinal, ser judoca é transformação do "tempo" e, não advém de nenhum cumprimento profético e nem de uma revelação misteriosa. Mas val "praticar" o "judo" e dar uma "volta" ao mundo...