17/03/2026
A escola não nos ensina tudo, se acharmos que precisamos de mais, vamos buscar em outras fontes, diz-se isso com os pais, as igrejas e as escolas, é preciso um grande exercício para atingirmos os nossos objectivos, não nos darão de bandeja o que realmente queremos. Até porque, somos considerados Quadros quando unimos a teoria e a prática.
⚠️NOTA IMPORTANTE
Nos últimos anos, o tempo para a autocrítica e para a reinvenção no ensino superior agrário em Angola parece ter sido constantemente adiado.
Esta reflexão nasce da preocupação de quem observa, com crescente inquietação, as dificuldades enfrentadas na formação de profissionais agrários no país.
Existe hoje um abismo preocupante entre aquilo que muitas universidades oferecem na formação académica e aquilo que o setor agrícola realmente exige no terreno.
1. A FALÁCIA DA BASE TEÓRICA
Persiste ainda em algumas instituições a ideia de que “o professor fornece a base e o aluno deve desenrascar-se no resto”.
No entanto, uma formação em engenharia agrária não pode limitar-se à transmissão de conteúdos teóricos. A universidade deve funcionar como um espaço de construção de competência técnica, onde o conhecimento é consolidado através da prática.
O que deveria acontecer é simples: o conhecimento fundamental deve ser adquirido na universidade e aperfeiçoado no exercício profissional, e não aprendido do zero devido a lacunas da formação superior.
2. O PARADOXO DOS TÍTULOS ACADÉMICOS
Muitas instituições orgulham-se legitimamente do número de docentes com doutoramento (PhD) e da expansão do ensino superior. Contudo, esse prestígio académico nem sempre se traduz em formação técnica sólida para os estudantes.
O resultado, em alguns casos, são profissionais que concluem a licenciatura com diplomas relevantes, mas com preparação prática insuficiente para enfrentar os desafios reais da agricultura, da produção e da gestão rural.
A verdadeira qualidade de uma universidade mede-se não apenas pelos títulos que possui, mas pelos profissionais que forma.
3. A FRAGILIDADE PRÁTICA NA FORMAÇÃO
Um dos sinais mais preocupantes dessa realidade é a dificuldade que muitos estudantes apresentam ao lidar com situações técnicas reais.
Em determinados casos, técnicos formados no ensino médio agrário demonstram maior domínio prático em tarefas específicas do que alguns licenciados recém-formados.
Situações como estas levantam questões importantes sobre a necessidade de reforçar competências fundamentais.
4. NECESSIDADE DE MAIS PRÁTICA NO ENSINO AGRÁRIO
O ensino agrário exige contacto constante com o campo, com sistemas produtivos e com experiências reais de cultivo e manejo.
Fazendas experimentais, campos de demonstração e atividades práticas são instrumentos fundamentais para consolidar o conhecimento.
Sem essa componente prática, corre-se o risco de formar profissionais que dominam conceitos teóricos, mas que encontram dificuldades ao aplicá-los no terreno.
O ensino superior agrário em Angola enfrenta desafios importantes, mas também possui um enorme potencial de transformação.
Mais do que ampliar estatísticas académicas, é fundamental alinhar o currículo universitário com a realidade do campo e com as necessidades do setor agrícola nacional.
A formação agrária deve voltar a ter como objetivo central preparar profissionais capazes de compreender, intervir e transformar a realidade agrícola do país.
O que tens a dizer?
Autor: Lavender Octopus6080