Geografia Pucrs

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Timeline photos 02/11/2020

🚩 FICOU SABENDO QUE O CURSO DE GEOGRAFIA VAI FECHAR? Confira a nota dos ex alunos da Geografia! ✊

NOTA DE REPÚDIO

Carta aberta de mobilização dos ex alunos do curso de Geografia da PUCRS: repudiamos o fechamento do curso de Geografia e das demais licenciaturas, todo apoio aos estudantes da Geografia!

Nós, ex alunos do curso de Geografia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, viemos por meio desta demonstrar nosso apoio aos estudantes e colegas do curso de Geografia da PUCRS. Queremos deixar claro o nosso total repúdio a possibilidade de fechamento do curso e de outros cursos da Escola de Humanidades e demais licenciaturas.

Estamos vivendo no país um momento de duros ataques à educação. Diversas áreas sofrem com a falta de recursos e de manutenção de políticas públicas que deveriam ser impulsionadas pelo Governo Federal. Cortes na CAPES e CNPq resultam em menor adesão de estudantes em cursos de licenciatura, precarizando as condições de pesquisa e formação de profissionais capacitados.

Esse cenário de endurecimento contra os cursos de licenciatura no país está se refletindo nas universidades privadas há muitos anos. No caso da PUCRS, já são dois anos sem vestibular para Geografia, impedimento de fazer divulgação e prospecção de alunos para curso pela ASCOM, somados aos cortes nas bolsas ProUni, o novo modelo do Fies, que agora está atrelado a disputa de vaga através da nota do Enem, perdendo assim seu foco original, além de aumentos de valores de mensalidade ano a ano e falta de incentivo aos cursos de licenciatura de modo geral, demonstrando que existe uma política de enfraquecimento e apatia praticada pela reitoria da universidade.

Diante deste cenário, acreditamos que é necessária uma grande luta em unidade, com ex alunos, estudantes da Geografia e de outros cursos de licenciatura, professores e funcionários das unidades que estão em eminência de serem fechados. A missão da PUCRS não é baseada no princípio de seu fundador, Marcelino Champagnat? Onde está o amor à educação?

Nesse momento somente nossa força de impulsionar a vontade em manter os cursos em pleno funcionamento pode barrar o possível fechamento dos cursos. Lutar por um outro projeto de educação e sociedade dentro das universidades privadas e batalhar pela manutenção de cursos de licenciatura é uma luta para agora!

S. Marcelino Champagnat afirmava que “Educar é uma obra de amor”, mas como educar sem educadores?

A Geografia precisa existir, o mundo precisa ser constantemente descoberto pela Geografia. Nós exigimos respeito e explicações.

Não fechem a Geografia da PUCRS!

Em defesa da Educação, contra o fechamento de cursos de licenciatura!

Querer se formar professor(a) também é um ato político!

**aGeoPUCRS

Se juntem a nós nessa mobilização!

Porto Alegre, 02 de novembro de 2020.
Coletivo da Geografia em defesa das licenciaturas.

11/06/2020

A Geografia na Luta antirra***ta

Por Louise Alves

Eu nunca havia visto tanta gente antirra***ta em um espaço tão curto de tempo. Não sabia que alguns dos meus ditos amigos (maioria brancos), que faziam na adolescência diversas chacotas comigo e outras pessoas negras, eram hoje antirra***tas. Tampouco que eram capazes de se sensibilizar ou de terem se sentido “tocados” pelo assunto e com as palavras que postei ou disse enquanto tentava explicá-los o que o racismo era pra mim. Porque as perguntas nessas duas últimas semanas não foram poucas.
O assassinato covarde de George Floyd, homem negro, por um policial branco nos Estados Unidos, que gerou um tsunami de protestos e comoção no mundo, estremecendo os espaços reais e virtuais, mostrou como é visto o negro na sociedade. Esse movimento trouxe também à tona casos recentes que ceifaram vidas negras no Brasil como as de Miguel, João Pedro, Ágata e Marielle. Esses acontecimentos apresentaram bem como é a face real do racismo, sem filtro: branca, cruel e, sobretudo estrutural. O racismo, pensamento colonial de superioridade da etnia branca sobre as demais, se mantém fortalecido pelas gerações e entre os diversos estratos sociais até a atualidade, porque beneficia a manutenção das estruturas de poder reguladoras da política, justiça e cidadania, mantendo a série incontável de privilégios da etnia branca sobre as demais.
Ao longo da história o branco representou-se a si mesmo como o ser ideal, desenvolvendo e reforçando uma identidade de autossuficiência que justificou atrocidades como a escravização de diversos grupos étnicos, supressão de culturas e tambémo domínio de continentes e de setores diversos, como a ciência. Ocorre que erroneamente, esse mesmo ideal de superioridade branca é também absorvido por nós, negros. Em contrapartida, nós enquanto grupo étnico-racial, tivemos nossa identidade baseada num ideal que não nos cabe, não é nosso, e é muitas das vezes inatingível.
Devido ao apagamento de nosso nome, cultura e ancestralidade em detrimento da cultura do colonizador, a etnia negra nos países onde houve escravização sofre de um constante processo de não-pertencimento, pois nunca reencontra sua identidade. Ela não se vê em quase nenhum espaço: ciberespaço, outdoors, telejornais, universidades, bairros de classe média-alta. E isso não é percebido, pois o modelo branco é inconscientemente absorvido e toma conta da maioria de nós por toda a vida. Eu passei por esse mesmo processo ehá apenas 6 anos iniciei a busca por minha identidade, revisitando minhas raízes, me conectando com minha negritude.
A negritude é algo totalmente subjetivo e exclusivo das pessoas negras, é preciso dizer. Não se trata de um estado de espírito. Ser negro é, antes de tudo, uma obviedade.Ter a consciência do que é ser negro (negritude) não o é. Abraçar sua negritude faz parte de uma construção, um desenvolvimento da consciência do que é ser negro, da busca sobre nossas origens, da compreensão de nossa cultura e especialmente, dos impedimentos que vivemos enquanto negros e do porquê esses impedimentos existem.É um rompimento com tudo o que conhecemos por vida basicamente, portanto é extremamente doloroso.
Mas, assim como a Geografia não era por mim conhecida (não nasci sabendo, mesmo sendo filha de geógrafa), eu tive de ir em busca da construção desse conhecimento; a negritude e o antirracismo, são também um tipo de ensinamento. Por esse motivo quem se intitula antirra***ta, deve fazer muito mais do que compartilhar hashtags, stories, postar frases de autores que nunca leu, mas que concorda por não se considerar ra***ta. Pelo contexto atual da abrangência da comoção pelo assassinato de George Floyd no ciberespaço, que é sem dúvida legítimo e fez enorme ressonância no mundo, esse assunto teve novamente a possibilidade de ser trazido ao foco.E está sendo importante que seja pensado, mas é preciso ser praticado, absorvido, internalizado.
A luta contra o racismo, funciona de forma semelhante à luta contra o machismo, pois todos nascemos com uma propensão muito forte e com vícios e conceitos de ambos. Esses tabus e conceitos devem ser desconstruídos, repensados, questionados, o tempo todo. Mesmo que não sejamos mulheres ou negros. Para não ser ra***ta é preciso disciplina, ser firme, apoiar a posição de não-ra***ta não só entre negros, mas preferencialmente entre brancos e, principalmente, não negar que é, encerrando o assunto e devolvendo o racismo de volta para nós negros.
Porque tudo que é negado, é algo dificilmente superado, transformado. A leitura antirra***ta deve ser estimulada diariamente, não somente quando se ensina sobre processo de escravização, ou se há um aluno negro na sala, ou quando é 20 de novembro, pois o racismo ceifa vidas, diariamente (conforme estudo da ONU– Organização das Nações Unidas -, 2017, “a cada 23 minutos (...)”, para ser mais precisa). Pra ser combatido ele precisa, portanto ser debatido, lembrado e desconstruído, diariamente.
Queria eu e todos os negros que existem e também aqueles que me antecederam, termos tido o privilégio de aprender o racismo num livro. Vocês têm. Aprendam o valor das vidas negras todos os dias. Percebam que o que existe de sociedade não estaria “de pé”, sem o suor e o sangue que os meus antepassados derramaram pelas mãos dos teus. Usem seus privilégios para nos apoiar e dar visibilidade. Vamos aceitar e abraçar as diferenças, pois somos um país de diferentes que devem ter direito a possibilidades iguais.

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Referências:

Organização das Nações Unidas, 2017. Homicídios na adolescência no Brasil, IHA 2014. Disponível em: . Acesso em: 06/06/2020

09/06/2020

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A Geografia na luta antirra***ta

Por Mileny Pereira

É subestimado o poder político e social de uma pessoa negra, pela branquitude que assombra as estruturas da nossa sociedade. Precisamos refletir como a neutralidade do pensamento geográfico brasileiro, tem reforçado esse estigma social que nós brasileiros e brasileiras convivemos. Analisar geograficamente espaços, áreas ou zonas, sem olhar para as relações étnico-raciais é propor uma geografia neutra, que não produz conhecimentos para sua população, além de se distanciar da construção de um novo espaço.

Nossa ciência é aquela que observa o espaço, e me pergunto constantemente o que ele tem nos questionado, já se fizeram essa pergunta? O espaço conversa com os geógrafos e geógrafas, e cabe a nós dialogar com ele.

Não podemos mais insistir na neutralidade enquanto nossa população negra morre pelo racismo que a Geografia também decidiu não combater. Nossas crianças e jovens negros são assassinadas, a população negra ainda persiste nos mais tristes índices do Atlas da Violência, nós mulheres negras ainda estamos recebendo os menores salários. E poderia continuar listando fatos que ilustram o racismo estrutural do continente e como ele assombra cada mulher e homem negro que nasce na América.

Os movimentos antirra***ta e antifacista que se complementam e ascenderam no último mês é o reflexo da insatisfação e cansaço do nosso povo, não é uma luta nova e recente mas ainda é necessária e urgente.

Nossa população está cobrando da Geografia a decisão de combater o racismo, de se apropriar da luta antirra***ta, para que não seja necessária a morte de crianças como a Ágatha Félix, jovens como João Pedro, homens como George Floyd e mulheres como Mariele Franco. O ano de 2020 é o nosso espelho, e que dele seja possível nos guiar para novos rumos, novos olhares e ações. Muita geografia para nós.

F**a aqui a reflexão para todos os professores, professoras, geógrafos e geógrafas: o mundo só muda quando nós mudamos. Não é fácil, mas nós negros da América, independente do país, já nascemos pra mudar o mundo porque a sociedade nos impõe uma luta subjetiva, estrutural, cultural, institucional e ambiental que travamos diariamente.

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Referências:

Atlas da violência: https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/download/12/atlas-2019

Indicadores sociais das Mulheres no Brasil:https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101551_informativo.pdf

07/06/2020

SE LIGA!!

🌎Salve Geografia!📢

⏳O movimento Geografia em Luta surge no ano de 2017 no contexto da luta contra as reformas propostas pelo então presidente Michel Temer que visava modificar as estruturas do ensino e da previdência no país sem um debate sério e democrático com a sociedade.
Os anos se passaram e o movimento passou a se configurar como uma representação estudantil não oficial dos discentes de Geografia da PUCRS e abordou algumas pautas de lutas internas da universidade bem como posicionamentos sobre acontecimentos da conjuntura política do país. A exemplo de outubro de 2018 quando nos posicionamos contra qualquer voto em Jair Messias Bolsonaro, então candidato à presidência que já se apresentava como um legítimo ra***ta, homofóbico, xenofóbico, misógino e destruidor ferrenho dos direitos humanos. Nos autoproclamamos antifascistas por entender que uma Geografia que não o fosse, não era uma aplicação digna desta ciência inserida em tantas lutas históricas.

✊🏾No presente momento histórico, em meio a maior pandemia do século e sob o governo daquele que fomos expressamente contrários, sentimos a necessidade de expandir a função desta página. Estamos lançando uma plataforma de reflexões geográficas sobre diferentes temáticas que serão abordadas a cada duas semanas por diferentes visões. A primeira temática apresentada será "A Geografia na luta antirra***ta".

✍️O primeiro texto é da Professora Mileny Pereira, educadora popular no Curso Pré-Vestibular Dandara dos Palmares, formada na PUCRS em Geografia e que compõe o movimento Geografia em Luta desde seu surgimento. O texto vai ao ar na segunda-feira (08/06). O segundo texto da temática em questão será postado na sexta-feira (12/06).

GEOGRAFIA EM LUTA - 2020

27/05/2019
16/10/2018

A Geografia serve, em primeiro lugar, para fazer a luta.


Vivemos tempos perigosos, onde pensar diferente é perigoso, onde se vestir diferente é perigoso, onde simplesmente existir é perigoso. Ter medo de andar na rua por ser mulher, negra, negro, LGBT+, ou por simplesmente adotar um pensamento à esquerda em nome das causas sociais e minorias. Isso não é normal, isso não é aceitável. Isso é a constituição de um sistema fascista. Isso é FASCISMO!
A Geografia enquanto ciência que estuda o espaço geográfico tem a capacidade de entender e explicar os porquês desta conjuntura ameaçadora. Mas, mais do que a capacidade de entender, ela também tem a obrigação de saber se organizar para combater. Como já dito por Yves Lacoste “é preciso saber pensar o espaço, para nele se organizar, para nele combater”, e é nesse caminho que precisamos seguir enquanto geógrafas e geógrafos, enquanto estudantes, enquanto futuros professores e pesquisadores. Paulo Freire já dizia que “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Essas duas frases históricas são marcantes e se mantém atuais nos dias de hoje, pois ajudam a explicar o processo que passamos de ascensão do pensamento conservador, do fascismo e como devemos combatê-lo e desconstruí-lo. A ciência geográfica já foi utilizada como base para justificar o expansionismo da Alemanha nazista, empregando das ideias de Ratzel de espaço vital, mas também para agir diante das desigualdades sociais através da chamada geografia crítica, que tem como pai Milton Santos, geógrafo, negro e nordestino. A ascensão do pensamento conservador, trás como consequência forte repressão e desmoralização desse pensamento crítico e científico.
Estes que hoje tentam nos amedrontar, nos calar, não querem que mais Miltons Santos apareçam. Não querem mais pensadores e o desenvolvimento de uma ciência crítica. Querem cada vez mais retroceder para o caminho de ciências puramente descritivas e não combativas. Negar direitos não é moderno e necessário, é estagnação e retrocesso. BASTA! Não seremos passivos frente a tamanho retrocesso, seremos ativos neste processo, seremos combativos. Queremos nos organizar para garantir um ambiente democrático, de diálogo, sem desrespeitar, agredir ou violentar os direitos de todos, atuar como uma unidade para refletir e combater os retrocessos que estão batendo à nossa porta. Somos contra qualquer política ou ideologia que não preserve os direitos humanos, dos ambientes naturais e da educação. Somos contra o discurso de ódio, preconceito e intolerância. Nos organizaremos enquanto curso, enquanto ciência, das mais diversas universidades e escolas, para através da unidade barrarmos o fascismo e podermos atuar como linha de frente defendendo “aqueles que não comem” contra “aqueles que não dormem com medo da revolução dos que não comem”. Sejamos o pesadelo dos que não dormem e a revolução dos que não comem!
Para combater o fascismo nas urnas defendemos o voto no 13, que apesar das críticas justas possíveis ao partido, neste momento representam a opção direta contra o fascismo, mas para além disso, depois do dia 28, o fascismo precisa ser combatido nas ruas, nas salas de aulas e nas universidades independentemente do resultado das eleições.

Por uma Geografia combativa, crítica, de luta e antifascista.
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Movimento Geografia em Luta

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