Falando de Umbanda

Falando de Umbanda

Na espiritualidade não existe a resposta certa, o caminho único, pois todos os caminhos têm o mes

Operating as usual

04/09/2023

Mandinga no Brasil Colonial era a designação de um grupo étnico de origem africana praticante do Islã, possuidor do hábito de carregar junto ao peito pendurado em um cordão com uma pequena bolsa de couro com inscrições de trechos do Alcorão, que negros de outras etnias denominavam patuá, mas que era conhecido em árabe como tawiz.

A intenção do uso do objeto era a prática islâmica da proteção via as palavras de Allah, tal como ensinado pelo Profeta de acordo com os livros de jurisprudência malikita, escola islâmica seguida majoritariamente na África Ocidental. De acordo com a Muwwata de Malik Ibn Annas: ”Um menino chorava em uma casa e disseram que aquilo vinha de mau-olhado. Então o Mensageiro de Allah (Muhammad) ﷺ disse: ”Por que não encontram alguém para fazer-lhe um amuleto e protege-lo do mau-olhado?”

Os mandingas, via de regra por serem melhor instruídos que outros grupos de escravizados e possuírem conhecimento de linguagem escrita, eram escolhidos para exercerem funções de confiança, dentre elas a de capitão do mato. Também eram capacitados a descobrir possíveis impostores negros através de palavras e gestos islâmicos ou pedindo para que recitassem versos do Alcorão, e se os possíveis impostores errassem ou não entendessem, eram considerados foragidos, dai o temor de mandinga signif**ar magia, ou feitiço, segundo especulam alguns historiadores.

Com as leis de proibição da pratica do Islã no Brasil após a Revolta dos Malês em 1835, o hábito de carregar versos do Alcorão foi igualmente proibido, com muitos destes objetos talismânicos apreendidos por policiais sendo preservados até hoje em arquivos e museus na Bahia. Com as conversões sob pressão social ao catolicismo, as gerações seguintes de negros foram perdendo a herança islâmica, porém certas praticas ressurgiram de uma nova forma até chegar na conotação atual de que a mandinga tem hoje com feitiçaria ou pratica de religiões de matrizes africanas, através do sincretismo que o Islã sofreu no Brasil.

Bibliografia:
- João José dos Reis, ''Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835''
- José Cairus, '''Sufismo, religiosidade e Identidade dos escravos muçulmanos no Brasil''
- «mandinga». Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Infopédia
- Bertolossi, Leonardo Carvalho (1 de dezembro de 2006). «Corpo Fechado». Revista de História da Biblioteca Nacional.

04/09/2023

Montado em seu alazão, que é literalmente o aportuguesamento da palavra árabe para cavalo, ‘’al-hisan’’, a indumentária equestre arábigo-andaluza culminou numa síntese única que pode ser vista no traje do vaqueiro nordestino dos pés à cabeça, como mais um legado mouro na construção cultural do Nordeste brasileiro. O chapéu pode ser de formato napoleônico, mas carrega as insígnias islâmico-ibéricas, como a flor quadripétala, que simboliza a união entre os céus e a terra, e foi encontrada nos palácios omíadas de Khirbat al-Mafjar na Jordania e Medinat az-Zahra em Cordoba, assim como em outros vestígios de al-Andalus, e a estrela de oito pontas, i𝙨𝙗𝙖𝙧𝙮𝙖 ou zuhara em árabe, que simboliza a ascensão do califado e decorava suas moedas. Em seguida traja o gibão, termo derivado do espanhol jubón, e por sua vez do árabe juba, que é a longa casaca de couro que o protege nas pegas de boi, e que um dia também protegeu seus ancestrais mouros. Esta juba foi trazida à Ibéria pelos árabes na Idade Média, e foi adotada por reis e nobres cristãos em imitação de sultões e emires, como símbolo de status. O gibão é sempre decorado com a arte em couro lavrado, composta por desenhos e motivos arabescos da arte mudéjar conhecida como ‘’guadameci’’, pois sua origem está na cidade líbia de Gadamés no Norte da África. Em seguidas temos o safão, ou ‘’zahón’’ em espanhol, que os lexicografias divergem quanto a qual palavra árabe lhe deu origem, se o saqún ou safun, mas que de qualquer forma define a perneira equestre do pastoreio árabe-ibérico, e que se espalhou não só na América portuguesa e espanhola inteira, como se tornou o símbolo do cowboy americano. E para selar a armadura do guerreiro da Caatinga que surgiu no deserto do outro lado do Atlântico, temos as alpercatas, calçado origem arábico-berbere que foi levado para a Espanha medieval pelos muçulmanos e posteriormente para o sul da França. Seu nome deriva do árabe al-barghat, devido ao calçado ser originalmente produzido a partir da fibra “albha” encontrada no Marrocos. Outros arabismos encontram-se nos nomes de seus apetrechos, como o alforge, a algibeira e o matulão, assim como na arte da cutelaria, em cujos punhais apresentam pomos globulares com alongamentos no topo ou pequenos botões, que são uma característica das espadas árabes andaluzes, assim como as laminas de folha estreita no início e larga no final da ponta, seguindo o modelo conhecido como “sarraceno” ou “mourisco”.

Bibliografia:

- FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala.
- NEIVA, Suria Seixas. Desenhos de couro: registro e memória dos desenhos no encouramento do vaqueiro sertanejo.
- Compendio de indumentaria española, con un preliminar de la historia del traje y el mobiliario en los principales pueblos de la antigüedad.
- Arabismos documentados em Ataliba, o Vaqueiro.
- Glosario árabe español de indumentaria según el Kitab al-Mujassas de Ibn Sidah
- Iconotropy and Cult Images from the Ancient to Modern World.
- ‘’Un estudio en torno a la palabra «zahón»’’ Elena Pezzi Martínez
- Franklin Pereira, «O couro lavrado de estética mudéjar na Casa-Museu e Fundação Guerra Junqueiro – memórias do al-Andalus em terras portuguesas»
-Câmara Cascudo, ‘’ Mouros, franceses e judeus - Três presenças no Brasil’’
- Araujo, Manoel Deisson Xenofonte. Sobrevivências da faca jardineira: um estudo sobre a cultura material produzida pela cutelaria da família Pereira no Cariri / Manoel Deisson Xenofonte Araujo. – Recife, 2017.
- Lorente, J . J . Rodriguez. THE XVth CENTURY EAR DAGGER. ITS HISPANO-MORESQUE ORIGIN. Consejo Superior de Investigaciones Científ**as.
- Bruhn de Hoffmeyer, Ada . Arms & Armour in Spain: A Short Survey, Volume 1. Editorial CSIC - CSIC Press.
-João Baptista, ‘’Léxico Português de Origem Árabe’’

Diferença entre Orixá, Irunmolé e Eborá – Historiando Axé 25/08/2023

Diferença entre Orixá, Irunmolé e Eborá – Historiando Axé Diferença entre Orixá, Irunmolé e Eborá por Tom Oloorê · Published 6 de julho de 2020 · Updated 21 de fevereiro de 2023 Diferença entre Orixá, Irunmolé e Eborá? Você sabe a diferença em Orixá, Irunmolé e Eborá? Você sabe quem é Orixá, quem é Imolé e quem é Eborá dentro do pant...

Características dos Filhos de Xangô 14/08/2023

Características dos Filhos de Xangô Dia 30 de Setembro, dia de Xangô.Para a descrição dos arquétipos psicológico e físico das pessoas que correspondem a Xangô, deve-se ter em mente uma palavra básica: ...

30/06/2023
31/07/2022

Ogun Soroke não existe, mas tem muitas pessoas que o cultuam assim.
Soroke ou Sohokwe é um Vodun independente, nem Esu e nem Ogun apenas Sohokwe, o guardião das casas de Jeje, onde f**a na entrada do Kwe. Dentro do seu culto original em Jeje, não se inicia ninguém a Sohokwe, pelo fato de ele ser muito quente.
Porém, o culto do Vodun Sohokwe migrou para dentro do Ketu, onde alguns Ase passaram a tratar como Ogun Soroke e outros como Esu Soroke, criaram fundamentação pra isso, o colocando sempre atrelado aos dois Òrìṣà, Ògún e Esu.
So que Soroke não é nem Ogun e nem Esu, nem Orisa ele é. É um Vodun
Mas é complicado dizer isso para aqueles que cultuam como Ogun ou Esu, e mais ainda para aqueles que foram iniciados. A sua vida toda dentro da religião, você acreditou em Ogun Soroke, você cultuou ele como tal e do nada alguém chega e diz que não é bem assim? Eu entendo de fato.
Mas, Ogun Soroke é uma confusão de entendimento. Esu Soroke é uma confusão de entendimento. Confusão essa que não é recente. O que de fato deveria existir é Vodun Sohokwe, no seu culto dentro do Jeje

Crédito
Hugo T'Logun Ede

03/06/2022
24/05/2022

🌻 PARA INTOLERANTE LER 🌻

Uma excelente estratégia para o combate ao racismo e intolerância religiosa, que nós de TERREIRO vimos enfrentando, é promover a educação; instrumento capaz de confrontar a ignorância. Então, para quem não conhece, vale a pena falar de modo simples e objetivo sobre quem são os ORIXÁS nas religiões brasileiras de matriz africana. Lembrando que se trata de algo breve e não uma discussão profunda sobre a multiplicidade de saberes acerca do Orixá no BRASIL.

"Os orixás são divindades africanas, pertencem especialmente à mitologia Yorubá, e nas religiões afro-brasileiras estão associados a fenômenos da natureza, mas também à aspectos sociais e psicológicos, sendo que cada um auxilia o ser humano na busca do êxito em cada uma dessas dimensões." Sendo esses os mais comumente cultuados nos terreiros:

EXÚ 🔥 - Divindade masculina relacionada a todos os elementos, rege tudo, é a boca que tudo come, contudo, a terra e o fogo frequentemente lhe é mais associado. Rege os domínios da comunicação, sendo considerado mensageiro, está presente no movimento da troca e da circulação de tudo, por isso está presente nos espaços do mercado, das feiras e aclamado para a obtenção de prosperidade, inclusive na forma de dinheiro. É a divindade que auxilia o Homem nas escolhas dos melhores percursos na vida, já que é o senhor dos caminhos. Tem forte relação com os aspectos da sexualidade, fertilidade, organização e disciplina

OGUM ⚔️ - Divindade masculina relacionada ao minério de ferro e seus derivados, assim como à forja das ferramentas, à terra e ao fogo em consequência. Rege os aspectos sociais do trabalho, do progresso tecnológico, os geopolíticos e de proteção da comunidade. Associado à determinação, resistência, tenacidade, persistência e liderança.

OXÓSSI 🏹 - Divindade masculina protetora da fauna e por extensão também da flora que a abriga. Caçador que tem relações fortes com os elementos água (rio), terra e fogo. Rege os domínios do prover coletivo, sobretudo de recursos alimentares (carnes, grãos e frutas). Associado ao desenvolvimento do foco, perspicácia, estratégia, assertividade e curiosidade intelectual.

OTIN 🏺 - Divindade feminina protetora da fauna assim como Oxóssi. Forte relação com o elemento água doce a exemplo de outras divindades femininas. Garante a fartura alimentar e proteção das comunidades. Contribui para o desenvolvimento da determinação, astúcia, atenção e coragem diante dos desafios.

OBALUAIÊ 🧙 - Divindade masculina que reestabelece a saúde das pessoas e mantem as doenças afastadas. Rege a terra quente e por consequência o fogo de seu interior, ligado ao Sol e seu calor também. Socialmente rege a saúde coletiva e a obtenção de riquezas já que é uma divindade que propicia prosperidade. Contribui para o desenvolvimento da racionalidade, estabilidade emocional, foco e observação.

OSSAIN 🍃 - Divindade masculina que promove a cura por meio da sabedoria da floresta e medicina das ervas. Relacionado ao elemento terra, sobretudo à flora que lhe serve de habitat, fonte de saber e material de trabalho. Rege o conhecimento para desenvolvimento dos medicamentos necessários aos tratamentos das doenças. Mas também para nutrição e promoção do bem-estar e qualidade de vida. Associado ao exercício intelectual, do pensamento crítico, da sensibilidade com a natureza, introspecção e escuta.

OXUMARÊ 🐍 - Divindade masculina que promove a transformação e renovação dos elementos, desde as células do corpo humano até às águas dos rios. Relacionado aos elementos água e ar, atua principalmente no ciclo de evaporação da água dos rios, formação e precipitação das chuvas, associado ao arco-íris. Ligado à produção e acúmulo de riquezas por meio de escolhas estratégicas e criativas, rege a perspicácia, agilidade, sensibilidade artística e senso estético.

NANÃ 🦉 - Divindade feminina detentora da sabedoria acumulada pela vivência, rege o elemento água e terra, especialmente o barro, e áreas lamacentas e pântanosas. Socialmente atua sobre as questões do envelhecimento, adoecimento e morte, mas também obtenção de riquezas. Associada ao desenvolvimento da sabedoria, paciência e resiliência.

OXUM 🍯 - Divindade feminina protetora da maternidade e das crianças pequenas, assim como do amor. Relacionada primordialmente ao elemento água doce na forma de rios. Atua sobre a maternagem desde sua concepção, protege as mulheres gestantes e puérperas, e também ajuda as mulheres estéreis a se tornarem férteis. É considerada a senhora do amor maternal, mas também romântico, então favorece o desenvolvimento da sedução, libido, vaidade, autoestima, criatividade, amorosidade e união.

LOGUM EDÉ 🎣 - Divindade masculina que atua nas águas doces e na terra, sendo caçador e pescador. Como Oxóssi e Otin, propicia fartura alimentar e prosperidade às pessoas. Mas sendo filho de Oxum, ainda promove fertilidade e magnetismo entre os sujeitos. Socialmente rege a produção artística contribuindo para o desenvolvimento do saber nos campos das artes visuais, plásticas, teatrais, musicais e etc. Associado ao desenvolvimento da criatividade, do senso artístico, da oratória, da assertividade e da sensibilidade interpessoal.

IBEJI 👶🏽 - Divindades gêmeas protetoras das gestações e crianças em igual condição, não têm elementos da natureza específicos, mas estão frequentemente associados à água doce, e regem tudo aquilo que é duplo no mundo. Socialmente regem a proteção e garantia dos direitos das crianças e adolescentes, desde alimentação, educação até o lazer. Ainda propiciam abundância e multiplicação (duplicar) das coisas boas, como dinheiro. São associados ao sentido de pertencimento familiar, à ingenuidade infantil, alegria e criatividade.

OBÁ ❤️ - Divindade feminina que atua sobre a vida conjugal, os relacionamentos; casamento, noivado, namoro, entre outras composições. É uma divindade do amor e associada às águas doces, sobretudo os rios agitados. Como dito, rege a esfera conjugal e seus desdobramentos, como a constituição da família, mas também processos de divórcio e demais circunstâncias dos relacionamentos afetivos. Associada ao ciúmes, ao amor incondicional, senso de proteção, liderança, resistência e resiliência.

EWÁ 💦 - Divindade feminina dos rios, atua sobre os ciclos de renovação da água. É uma divindade da sensibilidade afetiva, promotora dos valores morais com finalidade de unir a comunidade, socialmente promove a concórdia e resolução de conflitos por meio do dialogo. Atua sobre o desenvolvimento da empatia, do visionarismo, da clareza de ideias e estabilidade emocional.

IANSÃ 🌧️ - Divindade feminina da água doce dos rios, da terra, do fogo e do ar, mas principalmente das grandes tempestades. Está associada à memória dos ancestrais e aos mistérios da vida e da morte, por isso rege os processos sociais do morrer. Ainda rege a liderança e empreendedorismo daquelas mulheres que saem à busca do sucesso profissional para sustento da família, mães solteiras, mulheres viúvas e etc. Contribui para o desenvolvimento da coragem, liderança, autonomia e independência.

IEMANJÁ 🐟 - Divindade feminina associada a todo o ecossistema aquático, sobretudo o mar. Rege a maternidade dos filhos adultos, e por isso socialmente contribui no desenvolvimento do campo educacional, mas também no da saúde mental coletiva, já que é considerada a mãe simbólica de todos os orixás, a que zela de todas as cabeças, sejam divinas ou humanas. Por isso Iemanjá favorece o equilíbrio e inteligência emocional, a sabedoria, discernimento e estabilidade.

XANGÔ ⚡ - Divindade masculina associada ao elemento fogo e terra, especialmente os raios e trovões que cortam e estrondam no céu. Rege a ordem, as conquistas materiais e cívicas da comunidade, e regula as regras de conduta moral entre os sujeitos. E por isso socialmente atua sobre o campo da justiça que garante equidade aos cidadãos, ainda favorece o acesso às riquezas materiais. Atua sobre o desenvolvimento do senso de justiça, liderança, oratória, coragem, empreendedorismo, curiosidade intelectual e pensamento crítico.

IROKÔ 🌳 - Divindade masculina associada às arvores centenárias e por isso protetor das memórias ancestrais das comunidades, protege os anciões e as crianças, garantindo assim a preservação e continuidade dos saberes. Tem especial ligação com o sangue humano, por isso socialmente atua sobre as condições hematológicas de saúde e à gestação, além de atuar sobre as questões da infância e do envelhecimento. Atua no desenvolvimento e preservação da memória cognitiva e sensível, na longevidade, estabilidade e equilíbrio emocional.

OXAGUIÃ 🛡️ - Divindade masculina associada ao ar e a terra, atua sobre o progresso social decorrente dos acordos políticos, propicia a conciliação e concórdia necessária às negociações dos grupos sociais. Por isso atua no campo da conquista dos direitos dos grupos minoritários, assim como na busca da resolução de conflitos, sejam de âmbito familiar, conjugal ou de diferentes nações, é uma divindade do entendimento e pacif**ação das visões divergentes. Atua sobre a empatia, inteligências intrapessoal e interpessoal, visão estratégica, foco e obstinação.

OXALÁ/ OXALUFÃ 🌎 - Divindade masculina associada ao ar atmosférico, considerado divindade suprema nos terreiros, sendo responsável pela criação dos seres humanos na Terra, portanto é conhecedor de tudo que há sobre a terra desde tempos imemoráveis. Por isso é responsável pela fertilidade, procriação e desenvolvimento da humanidade nas dimensões naturais, materiais, filosóf**as, políticas, espirituais, sociais e etc. Ele detém o saber, então rege a garantia da continuidade da existência humana. Atua sobre o desenvolvimento de elementos importantes para o êxito humano como saúde física e mental, fertilidade e longevidade.

Como veem, essas divindades de uma cultura e religião frequentemente desrespeitada e perseguida pelos discursos intolerantes, nada têm de mal. Após a leitura desse breve, porém esclarecedor texto, se alguém prosseguir com esse comportamento intolerante, devemos saber que se trata de um crime e devemos buscar por justiça e reparação imediata!

Felippe Pimenta ®
Sacerdote de Omolokô e Ẹ̀gbọ́n de Candomblé
Respeite os créditos e direitos autorais.

25/04/2022

Ogun é S. Jorge?!?

*Mais uma vez a velha polêmica sobre São Jorge e Ògún! E a famosa Feijoada do Ògún.*
Precisamos dessa fusão, desse sincretismo? Aos que criticam apenas uma recomendação: *busque ler sobre a necessidade do sincretismo, como forma de sobrevivência cultural e religiosa, a partir das incursões e intervenções do Tribunal do Santo Ofício / Santa Inquisição no Brasil, a partir de 1590.*
O que você faria para não ser preso, torturado e MORTO por professar e praticar a fé de seus Ancestrais?
*Que alternativa tinham os nossos antepassados, para manter a fé, a liturgia, se o que não era cristão e católico, era considerado crime gravíssimo sujeito a pena de morte?*
Foi esse sincretismo que ajudou a manter a vida de milhares de pessoas.
Foi essa fusão de São Jorge e Ògún, Oyá e Santa Bárbara, São Roque com Ọbaluayẹ, Oxum com Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora dos Navegantes com Yemowá, Oxalá com Jesus, que driblou o ódio religioso cristão contra nós.
Hoje esse ódio ainda existe e nos vitima, nos agride física, moral e psicologicamente.
*Nossos Terreiros são invadidos, depredados, sacrilegiados, incendiados e já contabilizamos centenas de mortos por conta da nossa fé, muitos dos quais o assassinato se deu em nome de N. S. Jesus Cristo.*
Temos necessidade do sincretismo nos dias atuais?
NÃO!
Mas também *NÃO TEMOS DIREITO* de menosprezar, de criticar a fé daqueles que mantém o sincretismo.
O que de fato *IMPORTA É A FÉ!*
Quem não acredita, *NÃO FAÇA, NÃO PRATIQUE, MAS TAMBÉM NÃO CRITIQUE QUEM, DE BOM CORAÇÃO MANTÉM SUA DEVOÇÃO!*
Reflitamos ainda sobre um outro aspecto: há muitos cristãos que passaram à nos apoiar no combate ao ódio religioso e intolerância, justamente por conta do sincretismo.
No combate ao ódio, temos que ser políticos e trazer aliados e todos os credos e correntes ideológicas para junto de nós, ao nosso favor.
Uma boa indicação de leitura para nos ajudar nessa reflexão, é a excelente obra Repensando o Sincretismo, do saudoso Professor Doutor Sérgio Ferretti, 1995, EDUSP.
É o que penso!
Axɔ́súxwé Acɛ́ Mina Gɛgi Fɔn Vodún Xɛ́byosɔ Toy Gbadɛ́, Manaus, AM, 24 de Abril de 2022
Xɛ́byosɔnɔ̀ Alberto Jorge Silva Ọba Méjì
Sacerdote de Vodún Xɛ́byosɔ̀ Toy Gbadɛ́

Quanto a FEIJOADA DO ÒGÚN, é suas origens:

Para falar da feijoada de Ògún temos que voltar às primeiras décadas do século passado, época do Babalòrìsà Procópio Xavier de Souza, o grande Pai Procópio do Ògúnjá (Ògún Jobi), que durante muito tempo lutou para defender seu Terreiro no Vale do Bonokô (que na verdade seria o Vale do Igunnuko) e para defender a nossa religião. O povo antigo – as “mocotonas” como chamamos aqui em Salvador, falavam que Pai Procópio foi um homem muito perseguido, principalmente pelo policial Pedrito, um homem intolerante que costumava invadir os Terreiros, furar os atabaques e quebrar peças sagradas (nem parece que estamos falando coisas do século passado, infelizmente ainda hoje vivenciamos esses problemas). Mas Pai Procópio era um homem muito enérgico, do tipo valentão que não levava desaforo para casa – um característico filho de Ògún.

Certa vez no Terreiro do Ògúnjá, em época da festa do dono da casa, um homem maltrapilho e com fome chegou pedindo feijão para comer. Os Ogan de Pai Procópio tentaram mandar o homem embora, mas não tiveram êxito e logo Pai Procópio chegou para ver o que estava acontecendo em sua casa. Ao ver o homem naquela condição e também alterado, Pai Procópio não teria pensado duas vezes, pegando o sujeito e botando o mesmo para fora de sua casa, negando comida no dia da festa do seu Òrìsà – Ògún.
Na noite do Candomblé Ògún teria chegado muito nervoso e nada lhe acalmava, deixando todos apreensivos. Ògún então disse que Pai Procópio havia cometido um grande erro e que ele estava descontente com aquilo. Disse que Procópio errou duas vezes, a primeira em negar comida para uma pessoa dentro do Asè e a segunda em botar uma pessoa para fora, sem sequer saber quem era.

A história conta que Ògún chegou a dizer que aquele homem poderia ser ele próprio (Ògún), que poderia ter resolvido testar Seu Procópio, mas que nunca ninguém saberia. Todos os filhos pediam calma e perdão, mas Ògún sentenciou Pai Procópio, dizendo que ele jamais poderia negar comida a ninguém e que, a partir de então, todos os anos em sua festa, ele deveria fazer uma grande feijoada e distribuir para as pessoas, principalmente para as necessitadas – para que ele jamais se esquecesse do que havia ocorrido.
Contam que nos dias das festas de Ògún, depois do acontecido, Pai Procópio mandava que buscassem pessoas com dificuldades para comer a feijoada de Ògún, mas essa feijoada não era uma feijoada comum e sim uma feijoada que continha alguns ingredientes e carnes de animais ofertados ao Ògún de Pai Procópio, sendo que o primeiro “prato” contendo determinada carne ia aos pés de Ògún.
Com o passar dos anos e com a notoriedade de Pai Procópio, muitas pessoas também passaram a fazer a feijoada nas festas desse importante Òrìsà, sendo hoje algo que é realizado em muitos Terreiros de Candomblé até hoje.

https://www.facebook.com/groups/604828946236470/permalink/5887181348001177/

25/03/2022

AS RESPONSABILIDADE DE EXU

Olorum criou Exu a partir da Érupé (lama) e deu a ele a função de dotar os seres de capacidade de movimento. Exu é a energia que está presente em tudo que existe. Dinamização, transformação e mobilidade são possibilidades inauguradas por ele. A ausência de Exu é, portanto, a negação da vida. Exu foi criado com dezesseis grandes atributos, representados por seus títulos:

1- Yangi (O senhor da laterita vermelha).
2- Âgbá (Ancestral)
3- Igbá Ketá (Senhor da terceira cabaça; um de seus atributos mais fascinantes e potentes como possibilidade de reflexão)
4- Okotô (Senhor do caracol)
5- Obá Babá (Rei e pai)
6- Odara (Senhor da felicidade)
7- Osijê (Mensageiro Divino)
8- Eleru (Senhor do carrego ritual)
9- Enu Gbarijo (A boca coletiva; o atributo que mais me atrai no grande Imolê)
10- Elegbara (Senhor do poder mágico)
11- Bará (senhor do corpo)
12- L´Onan (Senhor dos caminhos)
13- Olobé (Senhor da faca)
14- Elebó (Senhor das oferendas)
15- Alafia (Senhor da satisfação pessoal)
16 - Odusô (Vigia dos odus).

Os homens e mulheres têm a possibilidade de conhecer e alterar o seu destino. O conhecimento é revelado pelo oráculo de Ifá, sistema adivinhatório regido pelo orixá Orunmilá, que por determinação de Olodumare é o Eleripin (testemunha do destino) de todos nós. A partir do conhecimento do destino, a alteração das coisas maléf**as pode ser conseguida com a realização de ebós e oferendas determinados por Orunmilá. A realização do ebó evoca energias dotadas de axé suficiente para transformar o ona buruku (mau caminho) em ona rere (bom caminho).

Neste sistema, Exu é um personagem fundamental. Uma de suas atribuições é a de ser o fiscal de Olorum. É ele, portanto, que fiscaliza o babalaô, sacerdote que consulta o oráculo, para que este não minta ao consulente.

Exu é também o Elebó, senhor das oferendas. É sua função verif**ar se as oferendas estão sendo feitas conforme a determinação de Ifá e cabe a ele levá-las ao Orum para que sejam aceitas. Caso o ebó seja bem sucedido, Exu cumpre a determinação de trocar os maus caminhos pelos positivos. Se as oferendas não forem feitas conforme o estabelecido, Exu é aquele que, na qualidade de fiscal de Olorum, pune os responsáveis.

É Exu, portanto, que dinamiza um dos pilares fundamentais da religião dos orixás: a consulta oracular como caminho de transformação do destino de cada um. Sendo assim, f**a claro que o destino é sinônimo de possibilidades que se realizam ou não. As possibilidades do porvir, previamente conhecidas, podem ser alteradas.

Vale mencionar, e esse é um aspecto fundamental, que o ebó não se destina simplesmente a resolver problemas. Há percalços que são inevitáveis, e estão no odu que rege o nascimento de cada um. A função do ebó é dotar a pessoa do axé para que os problemas possam ser enfrentados com maior vigor. O portador do axé é Exu.

É neste sentido que Exu costuma ser representado fumando ca****bo e tocando flauta. Ele fuma o ca****bo como quem absorve e ingere as oferendas, e toca a flauta como quem restitui o axé; a energia vital. Absorção, ingestão, doação e restituição são funções primordiais do "Senhor do Corpo" em sua dimensão de Eleru (o Senhor do carrego ritual) e Enu Gbarijó (Boca Coletiva).

Outra representação famosa de Elegbara é a do falo ereto. O pau duro de Exu, que tanto chocou os pudícos missionários cristãos que foram à África no século XIX, nada mais é que o exemplo maior de dinamismo, movimento e vitalidade, atributos do senhor da transformação.

Foi provavelmente esta última imagem, um Exu teso e viril, que levou os europeus a vinculá-lo ao demônio judaico-cristão. Obcecados pelas noções de culpa e pecado, produziram em seus estudos uma visão que, pelo desejo de dominação, pelo medo e pela ignorância, distorceu e comprometeu a compreensão do papel primordial desempenhado por Exu nas nossas vidas: conceder movimento, saúde física e mental, capacidade de adaptação e alegria.

Pai Folha

13/03/2022
DOCUMENTÁRIO | OujDarresu 01/01/2022

DOCUMENTÁRIO | OujDarresu Ao completar 21 anos de iniciado no Candomblé, o candomblecista fecha um ciclo importante de maturidade em sua vida espiritual de devoção ao Orixá. OujDarres...

FIRMA O GUIA POVO DO SANTO (Documentário) 01/01/2022

FIRMA O GUIA POVO DO SANTO (Documentário) Ao abordar as religiosidades afro-brasileiras, o documentário "Firma o Guia Povo do Santo" tem como proposta central interceptar algumas das mais signif**ati...

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